“Verdadeira lei da selva”: Brasil não tem plano estratégico para o mundo e vive “apagando incêndios”, alertam senadores e ex-embaixador
A falta de um plano estratégico unificado para nortear as ações do Brasil no cenário geopolítico foi apontada como uma grave vulnerabilidade durante um debate na Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado Federal. Senadores e especialistas presentes na audiência pública, promovida pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), destacaram a fragilidade do país face à realidade global, marcada por tensões e enfraquecimento do multilateralismo. O alerta se intensifica com a falta de uma visão de Estado clara e precisa, que oriente as relações internacionais e guie o desenvolvimento nacional.
Atualmente, potências como Estados Unidos, China, Índia, Japão e as nações europeias elaboram e publicam documentos oficiais detalhando suas metas e estratégias internacionais. O Brasil, segundo especialistas, se contenta com documentos setoriais, como o de defesa, que não conseguem abarcar a complexidade dos desafios do mundo moderno.
Documentos insuficientes
Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Londres e Washington e atual presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), ilustrou a situação durante o debate. Ele destacou que, enquanto outros países elaboram relatórios complexos sobre suas metas e estratégias, o Brasil se restringe a documentos de escopo limitado. Para Barbosa, essa disparidade coloca o país em desvantagem, principalmente num cenário de incertezas e conflitos.
Nelsinho Trad, proposta o debate, evidenciou a urgência de se ter uma “visão de Estado” para orientar as ações do Brasil. Sem um plano estratégico definido, o país corre o risco de agir de forma reativa, sempre lidando com crises de última hora, sem a solidez necessária para construir uma posição de destaque no cenário global.
A falta de um documento que defina a posição do Brasil frente a crises geopolíticas, infecta diversos setores, afetando as relações com parceiros comerciais e aliados, deixando o país em uma postura frágil e vulnerável. Os especialistas presentes no debate concordaram que o Brasil precisa superar essa dinâmica de “apagar incêndios” e iniciar um processo de planejamento estratégico, alinhado com seus objetivos de desenvolvimento, soberania e segurança.
Para muitos dos participantes, o estudo “Uma Estratégia para o Brasil”, elaborada pelo Irice, serve como um chamado à ação. Apesar de suas conclusões serem consideradas ambiciosas, o documento evidencia a necessidade de se repensar a postura do Brasil no mundo, buscando uma visão de longo prazo que compreenda a complexidade dos desafios e as oportunidades do cenário global atual.