Vendas de dólares no governo Milei impulsionam o peso, mas alimentam apostas de desvalorização.
Desde o início do mês, o governo argentino tem trabalhado incansavelmente para sustentar o peso, uma das moedas mais instáveis do mundo. Diante das eleições de meio de mandato que se aproximam, o Tesouro do país tem intervido regularmente no mercado, vendendo dólares e impulsionando o peso. Mas, paradoxalmente, essas mesmas ações têm alimentado as apostas de que o presidente Javier Milei irá desvalorizar a moeda antes do próximo ano.
Uma corrida à moeda que não cessa
As vendas de dólares pelo Tesouro em cada sessão são um sinal nítido de que o governo luta para sustentar o peso em face das dificuldades econômicas. Além disso, as autoridades têm sido forçadas a restaurar controles cambiais e vender dólares no mercado futuro para evitar que a moeda caia mais. Porém, quanto mais o governo precisar fazer isso, mais evidente fica a insustentável taxa de câmbio atual, alimentando ainda mais a própria corrida à moeda que as autoridades tentam conter. “O mercado parece estar precificando a possibilidade de uma mudança no regime cambial logo após as eleições, o que significa que o peso está sob pressão constante”, afirma um economista da corretora one618.
Pressão sobre a taxa de câmbio
Embora o Tesouro venha vendendo grandes quantias de dólares todos os dias, a situação continua a se deteriorar. O peso está cada vez mais distante da taxa de câmbio estabelecida, o que significa que as autoridades precisaram de cada vez mais dólares do Tesouro para conter a moeda. Além disso, o fato de o governo precisar cada vez mais intervir no mercado sugere que a situação está se tornando mais grave. “O peso está subindo, mas a realidade é que não estamos mudando de nada”, afirma outro economista. “A inflação continua a afetar a economia argentina e não há sinais de que sejam implementadas as reformas necessárias para estabilizar a moeda.”
EUA tentam evitar que a crise esquente
A situação da Argentina tem piorado nos últimos meses, devido a crescentes dificuldades econômicas e escândalos de corrupção que mancham alguns dos aliados mais próximos de Milei. Porém, uma promessa de ajuda dos EUA ajudou a conter a onda de vendas que a Argentina enfrentou em setembro. No entanto, as perspectivas para o país continuam a ser sombrias, com a economia enfrentando sérios desafios. “A Argentina está em uma posição difícil e não há sinais de que a situação melhore em breve”, afirma um analista.
Quando é que a Argentina vai desvalorizar o peso?
Diante da pressão sobre a taxa de câmbio e do desgaste contínuo da moeda, é cada vez mais provável que a Argentina vá desvalorizar o peso logo após as eleições de meio de mandato. De acordo com os economistas, é provável que o governo obtenha entre 34% e 37% dos votos nas próximas eleições, o que significa que a situação econômica do país não vai melhorar em breve.
Milei precisa das eleições de meio de mandato para avançar com suas reformas econômicas mais desafiadoras. Para isso, precisa obter apoio em ambas as casas do Congresso. O desvalorizar o peso, embora uma solução dolorosa, poderia dar ao presidente a chance de implementar as reformas necessárias para estabilizar a moeda. Embora a opção não seja a mais popular, é uma medida que poderia ser eficaz em curto prazo. O que está em jogo aqui é o futuro da economia argentina, e é provável que a situação continue a se deteriorar se nada for feito para conter a inflação e a desvalorização do peso.
