Trump quer um pedaço da indústria de defesa americana
O governo dos EUA, liderado por Donald Trump, está estudando formas de se tornar dono de parte da indústria de defesa do país, setor que movimenta cifras trilionárias e exerce forte influência política nos EUA. Segundo o secretário de Comércio, Howard Lutnick, a administração Trump está considerando tomar uma participação maior na Lockheed Martin, líder mundial de vendas militares e fabricante de uma vasta gama de armamentos.
A Lockheed Martin é uma das principais empresas do setor de defesa dos EUA, respondendo por quase 97% de suas receitas ao governo americano. De acordo com Lutnick, “eles [governo e Pentágono] estão pensando nisso. Há uma discussão monstruosa sobre defesa”. A declaração teve um impacto imediato no mercado, com as ações da Lockheed subindo quase 2%. A empresa rapidamente divulgou uma nota afirmando que “continua com sua forte relação de trabalho com o presidente Trump e sua administração”.
Um movimento estratégico
A ação não é um caso isolado. Trump já havia conseguido uma “golden share” na Japan Steel, após a compra da US Steel. Além disso, adquiriu ações em uma empresa de terras raras e garantiu acordos para ficar com parte do lucro de exportações de chips antes proibidos para a China. O movimento sugere uma estratégia ampla do governo americano para se tornar um player mais forte no setor de defesa.
Lutnick também mencionou a Boeing e a Palantir, sugerindo que o governo pode estender sua presença a outras gigantes do setor. As ações das duas empresas também registraram alta após a declaração. O secretário de Comércio enfatizou que “eles [governo e Pentágono] estão pensando em como podem se tornar mais envolvidos nessa indústria”.
Um intervenção inédita
A aproximação do governo americano com empresas de defesa não é comum fora de cenários de guerra. O último movimento de peso ocorreu na Segunda Guerra Mundial, nos anos 1940. Analistas apontam que o grau de intervencionismo se compara apenas ao New Deal, lançado nos anos 1930 para recuperar a economia após a Grande Depressão. Embora os EUA não sejam totalmente avessos a esse tipo de medida – em 2008, o governo comprou 60% da General Motors para evitar a falência da montadora – a ação foi emergencial e em 2013 a empresa já havia voltado a ser privada.
A movimentação do governo americano no setor de defesa é vista como um sinal de que o país quer se tornar mais autossuficiente na produção de armamentos e tecnologias de ponta. Com o setor de defesa movimentando cifras trilionárias, o governo Trump está disposto a apostar alto para garantir uma participação maior nesse mercado.
