Trump avança em ofensiva para assumir o controle do Fed
A corrida do presidente dos EUA, Donald Trump, para assumir o controle do Federal Reserve, o banco central norte-americano, está acontecendo de forma impressionante, apenas duas semanas antes da próxima reunião de política monetária do banco. Em uma série de eventos que chamaram a atenção no Capitólio e em um tribunal federal, a escolha de Trump para preencher uma vaga no conselho do Fed enfrentouquestionamentos sobre um plano sem precedentes para manter um cargo na Casa Branca enquanto atuava no Fed.
A escolha de Stephen Miran
No centro da controvérsia está Stephen Miran, nomeado por Trump para uma vaga no conselho do Fed que ficou vazia quando Adriana Kugler, indicada pelo ex-presidente Joe Biden, renunciou inesperadamente. Miran, que já é presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, prometeu atuar de forma independente como governador do Fed. No entanto, os democratas argumentaram que essas promessas não tinham sentido depois que seus questionamentos revelaram uma proposta incomum, segundo a qual Miran não renunciaria ao cargo na Casa Branca, mas tiraria uma licença não remunerada do Conselho.
Essa proposta é considerada incomum porque marcaria a primeira vez, desde a criação do Fed moderno, na década de 1930, que um membro titular do poder executivo se juntaria ao comitê de definição de taxas do Fed. Além disso, Miran foi coautor de um artigo condenando a “porta giratória” entre o poder executivo e o Fed, o que levou a questionamentos sobre a consistência de suas posições. Ele defendeu-se dizendo que suas propostas são concebidas como um pacote completo e que suas posições não são inconsistentes.
O papel do Fed e a independência
A independência do Fed é um tema sensível, especialmente quando se discute a intervenção política em suas decisões. O papel do Fed é manter a economia estável, controlando a inflação e promovendo o crescimento econômico. Qualquer percepção de interferência política pode afetar a confiança no sistema financeiro e na capacidade do Fed de tomar decisões baseadas em evidências econômicas. A ideia de um membro do poder executivo se juntando ao comitê de definição de taxas do Fed é vista como uma ameaça à essa independência.
A próxima reunião do Fed, agendada para 16 e 17 de setembro, é especialmente importante porque as autoridades devem considerar o corte das taxas de juros, uma medida que Trump tem exigido repetidamente. A pressão do presidente para influenciar as decisões do Fed é algo novo e pode ter implicações significativas para a economia norte-americana e global. A escolha de Miran e a possível manutenção de seu cargo na Casa Branca enquanto atua no Fed são apenas um aspecto dessa ofensiva.
A batalha judicial
Enquanto a confirmação de Miran está pendente, outra batalha está sendo travada nos tribunais. Advogados do governo defendem a primeira tentativa de demissão presidencial de um governador em exercício do Fed, o que pode ter implicações significativas para a independência do banco central. Esses desenvolvimentos sugerem que a luta pelo controle do Fed está longe de terminar e pode continuar a ser um foco de atenção nos próximos meses.
A corrida de Trump para influenciar o Fed é um capítulo complexo na relação entre o poder executivo e o banco central norte-americano. Com a economia global enfrentando desafios significativos, a independência e a eficácia do Fed são mais importantes do que nunca. A forma como essas questões são resolvidas terá implicações duradouras para a economia dos EUA e para o papel do Fed como guardião da estabilidade financeira.
