Soja dos EUA perde espaço para Brasil e Argentina, e Trump apela à China
A guerra comercial entre Estados Unidos e China está minando o mercado de soja americano. Se a economia americana como um todo ainda não sofreu os impactos mais fortes das tarifas, a batalha comercial está sendo sentida de forma aguda pelos agricultores. O presidente Donald Trump reconheceu a situação e afirmou que a soja estará no centro da mesa quando se encontrar com o presidente chinês Xi Jinping no final do mês, na Coreia do Sul. “Os produtores de soja do nosso país estão sendo prejudicados porque a China, apenas por razões de ‘negociação’, não está comprando”, escreveu Trump em uma rede social na quarta-feira. “Nós arrecadamos tanto dinheiro com tarifas que vamos usar uma pequena parte desse valor para ajudar nossos agricultores. NUNCA VOU DEIXAR NOSSOS AGRICULTORES NA MÃO! Vou me reunir com o presidente Xi, da China, em quatro semanas, e a soja será um dos principais tópicos de discussão.”
Essa perda de mercado para o Brasil e Argentina é um problema agravado por uma série de circunstâncias. A administração Trump permitiu que a Argentina acessasse uma linha de crédito de US$ 20 bilhões e chegou a cogitar a compra de dívidas do governo argentino, em um sinal claro de apoio ao presidente Javier Milei, aliado de Trump.
A promessa de Trump de usar a receita das tarifas para aliviar os agricultores lembra o pacote de socorro de US$ 32 bilhões ofrecido pelo governo durante o primeiro mandato. Com o setor enfrentando dificuldades em múltiplas frentes, analistas acreditam que um programa semelhante, através da Commodity Credit Corporation, será implementado.
A Triple Crown de Dor para os Agricolores
As dificuldades enfrentadas pelos agricultores americanos são generalizadas e impactam áreas da produção ao abastecimento. A restrição à imigração dificulta a contratação de mão de obra, enquanto as tarifas sobre produtos de outros países prejudicam as exportações, reduzindo a demanda por produtos americanos.
Para piorar, a escalada de tarifas impactou também o mercado de equipamentos agrícolas.
O aumento no custo desses equipamentos, também resultado das tarifas, adiciona mais peso aos problemas enfrentados pelos produtores.
Dando Voz ao Descontentamento
Se o pacote de socorro for mais substancial que o oferecido anteriormente, seria um indicativo da preocupação do governo com a perda de participação de mercado por parte dos agricultores americanos em um ritmo crescente.
Owen Tedford, analista da Beacon Policy Advisors, observa que a frustração entre os agricultores com a situação na Argentina aumentou após a crise. A expectativa, no entanto, é que a pressão se intensifique com a chegada da colheita de outono e a necessidade de encontrar mercados para a produção. “Espero que isso continue nas próximas semanas, especialmente se o padrão não mudar antes da cúpula com Xi”, finaliza Tedford.
