A Barragem das Três Gargantas, na China, voltou ao centro do debate científico. Segundo cálculos da NASA, o enchimento completo do reservatório desloca massa suficiente para aumentar a duração do dia em 0,06 microssegundo.
O fenômeno decorre de uma regra básica de física, ao redistribuir massa, muda-se o momento de inércia da Terra e, portanto, sua rotação. O mesmo raciocínio explica variações naturais causadas por terremotos e pelo derretimento de gelo.
Em 2005, o geofísico Benjamin Fong Chao (NASA/JPL) comparou o efeito de grandes redistribuições de massa. No caso das Três Gargantas, cerca de 10 trilhões de galões (≈ 40 km³) de água elevam ligeiramente o momento de inércia do planeta.
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O resultado teórico: +0,06 μs na duração do dia quando o reservatório está em pico, e deslocamento do polo em torno de 2 cm. É um valor imperceptível no cotidiano, porém detectável por sistemas geodésicos modernos.
Para comparação, o terremoto do Índico de 2004 encurtou o dia em 2,68 μs ao reorganizar massa nas placas tectônicas.
A usina hidrelétrica soma 22.500 MW de capacidade instalada, a maior do mundo, com 32 turbinas de 700 MW e dois geradores auxiliares. O corpo da barragem tem 185 m de altura e mais de 2,3 km de extensão; o reservatório totaliza cerca de 39–40 km³.
Em 2020, após chuvas de monção, Três Gargantas registrou 111,795 TWh, novo recorde mundial anual de geração hidrelétrica, superando o marco de 103 TWh da Itaipu (2016).
Esses números ajudam a dimensionar por que o projeto entra em discussões sobre impactos geofísicos globais, ainda que ínfimos em escala prática.
Quando grandes massas se afastam do eixo de rotação, o planeta gira um pouco mais devagar; quando se aproximam, gira um pouco mais rápido. É a mesma lógica do patinador que abre ou fecha os braços para ajustar a velocidade.
A construção de represas armazena água em altitudes específicas, alterando a distribuição global de massa. De forma separada, o derretimento das calotas desloca água rumo ao equador e tende a desacelerar a rotação ao longo de décadas.
Outro fator antrópico mensurável é a extração de água subterrânea. Entre 1993 e 2010, o bombeamento de ≈2.150 gigatoneladas explica ~80 cm do desvio do polo observado, segundo estudo em Geophysical Research Letters.
A variação de 0,06 μs por Três Gargantas é minúscula frente a outros motores do tempo, como marés e trocas de momento entre núcleo e manto. Ainda assim, a soma de diversos efeitos pode bagunçar milissegundos no longo prazo, relevantes para GPS, telecom e finanças.
Por isso, timekeepers discutem ajustes como o “segundo intercalar negativo” — retirar um segundo do UTC se a Terra acelerar o suficiente nos próximos anos. Relatos recentes indicam avaliação desse cenário por volta de 2028–2029, embora haja incerteza e resistência técnica.
Em paralelo, estudos lembram que milhares de barragens desde o século XIX também contribuíram para mover os polos ao aprisionarem água em terra, reforçando que grandes obras influenciam processos geofísicos sutis.
Queremos ouvir você: obras colossais que mudam microssegundos devem entrar no licenciamento ambiental? O recorde de geração limpa compensa qualquer risco geofísico, por menor que seja? Deixe seu comentário.
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