## Roberto Justus detona: Empreender no Brasil ficou ‘extremamente desfavorável’
Roberto Justus, um dos empresários mais conhecidos do Brasil, veterano de quase cinco décadas no mercado, fez uma cobrança dura sobre o ambiente de negócios no país. Em suas palavras, empreender no Brasil sempre foi desafiador, mas a conjuntura atual elevou os riscos a um patamar “extremamente desfavorável”. Para Justus, o principal gargalo não é a falta de inovação, mas sim uma combinação de fatores: juros exorbitantes, instabilidade política e uma falta de segurança jurídica que assola o país.
O impacto da política monetária
Justus destaca que os juros altos, com o CDI rondando os 15%, tornam o crédito praticamente inviável para quem deseja expandir ou dar os primeiros passos em um negócio. Para ele, essa pressão financeira, aliada à instabilidade política e à insegurança institucional, desestimula investimentos e sufoca startups e pequenos empresários. “O empresário brasileiro dá certo apesar do governo”, resume Justus em tom crítico.
A política monetária do Banco Central, segundo o empresário, tem um efeito direto sobre o ambiente empreendedor. Ele compara o cenário brasileiro ao do México, que recentemente impôs uma tarifa de 50% sobre carros chineses, protegendo sua indústria local e agradando aos Estados Unidos. Para Justus, medidas protecionistas como essa demonstram o compromisso dos governos com seu próprio setor produtivo, algo que falta no Brasil.
“O empresário brasileiro dá certo apesar do governo”, relata Justus.
Um clima de medo e falta de incentivo
Justus parte do argumento de que o Estado brasileiro trata o empresário como “vilão”. Ele aponta a alta carga tributária, a resistência a privatizações e a constante intervenção governamental como elementos que afastam investidores. Essa visão, para Justus, gera uma cultura de medo e desconfiança, limitando tanto a abertura de novos negócios quanto o crescimento dos já existentes.
Ele critica a impunidade em casos de corrupção, lembrando que em países como os Estados Unidos a responsabilização é imediata, mesmo em infrações menos graves. “Não se pode construir um país sério com tanta ilegalidade”, critica. Para o empresário, a falta de regras claras e a insegurança jurídica criam um ambiente propício à especulação e ao aproveitamento ilegal, prejudicando a economia como um todo.
Entre tantos obstáculos, o empresário destaca a dificuldade de acesso ao crédito, especialmente para pequenas e médias empresas. “Não há como competir com um CDI a 15%”, afirma, com a voz carregada de frustração. Para Justus, essa condição inviabiliza a maioria dos projetos de expansão, limitando a capacidade de inovação e competitividade.
O impacto, de acordo com Justus, é devastador para o ecossistema empresarial brasileiro: a geração de empregos é afetada, o investimento estrangeiro diminui e o apetite por novos negócios diminui consideravelmente.
