De Volta a Onde Vieram: Mais de 50% do Gás Natural no Brasil é Reinjetado
O Brasil está dando um passo importante para aumentar a eficiência na produção de petróleo e reduzir o desperdício. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a reinjeção de gás natural ultrapassou a marca de 51% no mês passado. Isso significa que, em julho, 97,052 milhões de m³ de gás, que era produzido junto com o petróleo, foram devolvidos aos reservatórios em vez de serem queimados.
A reinjeção de gás natural é uma técnica que consiste em comprimir o gás e enviá-lo de volta para o reservatório onde foi extraído. Essa prática age como um “remédio” para os campos de petróleo. Afinal, aumenta a pressão interna dos depósitos, prolongando a vida útil da produção e resultando em mais óleo extraído.
Uma Técnica que Faz a Diferença
A reinjeção de gás natural se torna ainda mais vital em campos offshore, como aqueles localizados na Bacia de Campos e na Bacia de Santos. A geologia complexa desses campos exige soluções inovadoras, e a reinjeção surge como uma resposta eficiente.
A prática de reinjeção tem crescido consistentemente no Brasil desde 2015. Isso acontece porque a maior parte do gás extraído no país é considerado gás associado – ou seja, é produzido junto com o petróleo. As empresas que exploram esses campos precisam então decidir entre vender esse gás ou reinjetá-lo.
Essa decisão é tomada levando em conta diversos fatores, como a viabilidade econômica, a logística para o transporte do gás e a infraestrutura disponível. No entanto, em agosto de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Decreto nº 12.153, que dá à ANP o poder de limitar a reinjeção de gás natural, tanto em novos projetos quanto em planos já existentes.
Um Novo Panorama para o Mercado Nacional
A meta com essa nova medida é direcionar parte do gás natural para consumo interno. Isso significa reduzir os custos para os consumidores brasileiros e fortalecer a indústria nacional.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou na época que o objetivo é criar um “choque de oferta” de gás no Brasil. Para alcançar esse objetivo, a estratégia prevê maior participação da iniciativa privada na infraestrutura de escoamento e processamento de gás, uma área que atualmente é dominada pela Petrobras.
A expectativa é que essa mudança reduza a dependência da reinjeção, aumente a oferta de gás disponível para o mercado interno e contribua para o desenvolvimento de um setor energético mais competitivo e diversificado no Brasil.