Pressão 12 por 8 é normal? Nada disso! Brasil muda regras e agora pressão 12 por 8 é pré-hipertensão, com novas metas, escore de risco e protocolo específico para o SUS
Até mesmo as pressões arteriais consideradas “normais” no Brasil estão prestes a sofrer uma revisão significativa. Em um movimento sincronizado com as diretrizes europeias, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) anunciaram uma atualização na forma de classificar a pressão arterial. Isso significa que valores antes considerados dentro da normalidade, como 12 por 8 (120/80 mmHg), passarão a ser categorizados como pré-hipertensão.
Uma nova diretriz é lançada no Brasil
A mudança foi anunciada em conjunto pelas três sociedades médicas e foi apresentada durante o 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, em 18 de setembro. De acordo com a nova diretriz, a faixa de pressão arterial anteriormente chamada de “normal limítrofe” (12 por 8 a 13,9 por 8,9) agora será considerada pré-hipertensão. A ideia é chamar a atenção para o risco cardiovascular já nessa fase inicial, antes que a hipertensão esteja estabelecida.
O alvo terapêutico é redefinido
Além disso, a nova diretriz brasileira estabelece um alvo terapêutico mais rigoroso. Até agora, a meta era manter a pressão arterial abaixo de 14 por 9 (140/90 mmHg). Agora, a recomendação é mais ambiciosa: todos os hipertensos devem buscar níveis menores que 13 por 8 (130/80 mmHg), independentemente da idade, sexo ou presença de outras doenças. Reduzir o limite ajudará a prevenir complicações graves como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal.
Introduzindo o escore PREVENT
Pela primeira vez, a diretriz brasileira inclui um sistema para avaliar não apenas os números da pressão, mas também o risco cardiovascular global. Foi incorporado o escore PREVENT, que calcula a probabilidade de o paciente sofrer um evento cardiovascular nos próximos dez anos. Esse sistema ajudará os médicos a determinar o risco individual de seus pacientes e a orientá-los sobre as melhores estratégias para reduzir esse risco.
O que isso significa para o SUS e os brasileiros?
A nova diretriz terá impacto direto tanto no atendimento médico quanto na rotina de milhões de brasileiros. Os médicos deverão orientar pacientes com pré-hipertensão a realizar mudanças no estilo de vida, como exercícios regulares, dieta equilibrada e redução do consumo de sal e gordura. Alguns pacientes podem precisar de medicamentos para ajudar a controlar a pressão arterial. Com essa mudança, o SUS (Sistema Único de Saúde) precisará se adaptar e fornecer recursos adicionais para atender à demanda de pacientes que precisam de acompanhamento médico.
Uma nova diretriz para uma nova era
A mudança nas diretrizes de pressão arterial no Brasil é um passo importante para reduzir o risco cardiovascular em nosso país. Ao incorporar um sistema de avaliação mais completo e um alvo terapêutico mais rigoroso, a nova diretriz ajudará a prevenir complicações graves e melhorará a qualidade de vida dos brasileiros. Agora, é hora de se preparar para as mudanças e trabalhar em conjunto para garantir uma saúde melhor para todos.
