Petróleo de refinaria privatizada de Manaus gera prejuízo bilionário: operação caiu de 40 mil para apenas 10 mil barris por dia em dois anos
A privatização da Refinaria da Amazônia (Ream), em Manaus, está gerando um prejuízo bilionário para o Estado e para os consumidores. Antes da privatização, em 2022, a refinaria produzia, em média, 40 mil barris por dia. No entanto, essa produção caiu para menos de 30 mil em 2023 e despencou para menos de 10 mil em 2024.
O preço dos combustíveis dispara
A consequência mais imediata disso é o aumento no preço dos combustíveis no Amazonas. A gasolina e o gás de cozinha chegam a custar até 10% acima da média nacional, o que é irônico, pois o Estado é produtor de petróleo. Isso porque o petróleo extraído da base de Urucu agora precisa percorrer uma viagem de até 16 dias em balsas até São Sebastião (SP), onde é refinado pela Petrobras.
Custo logístico elevado e ameaça à produção local
Para especialistas, essa operação aumenta custos logísticos, ameaça a viabilidade da produção local e transfere o peso financeiro para os consumidores. Além disso, a refinaria, que foi privatizada pelo Grupo Atem em 2022, por cerca de R$ 1,3 bilhão, permanece praticamente parada desde 2024, operando apenas como terminal.
A mudança na forma de processamento do petróleo também gerou questionamentos sobre as isenções fiscais recebidas pelo Grupo Atem. Segundo estudo do Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás (IBP), a empresa obteve cerca de R$ 1,3 bilhão em descontos tributários entre 2017 e 2024. Críticos argumentam que isso representa uma “privatização a custo zero”, já que a companhia recuperou rapidamente o investimento inicial.
O Grupo Atem rejeitou as acusações e afirmou que os dados usados no estudo do IBP seriam “inverídicos e desatualizados”. Já o Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM) protocolou denúncia no Conselho Administrativo e criticou a forma como a privatização foi conduzida.
A situação é preocupante, pois a dependência de combustíveis importados ou processados em outras regiões pode levar a um preço ainda mais alto para os consumidores. Além disso, o esvaziamento da única refinaria da Região Norte pode ter consequências econômicas mais amplas para o Estado.
