Petrobras mira Raízen endividada em R$ 17,5 bilhões
A Petrobras estuda investir na Raízen, uma joint venture formada pela Cosan e Shell, que acumula uma dívida de R$ 17,5 bilhões. A estatal brasileira avalia diferentes possibilidades de entrada no negócio, desde se tornar sócia direta da empresa até adquirir ativos específicos relacionados à produção de etanol.
Um mercado estratégico
A iniciativa da Petrobras ocorre em um momento delicado para a Raízen, que registrou prejuízo de R$ 946 milhões no último trimestre. No entanto, a empresa é vista como estratégica por ser uma das maiores produtoras globais de etanol a partir da cana e a única no mundo a operar comercialmente o etanol de segunda geração, produzido com reaproveitamento da biomassa.
Ao considerar diferentes formatos de entrada, a Petrobras busca ampliar sua presença no setor de biocombustíveis sem descumprir a cláusula de não competição com a Vibra (antiga BR Distribuidora), que segue válida até 2029. Uma das alternativas seria separar ativos relacionados à produção de etanol da parte de distribuição, que opera sob a marca Shell com mais de 8 mil postos no Brasil, Argentina e Paraguai.
Reposicionamento da Petrobras
Para analistas do setor, a entrada da Petrobras na Raízen seria um primeiro passo para retomar relevância na cadeia de distribuição de combustíveis. O movimento também dialoga com o reposicionamento da estatal em negócios de energia limpa, incluindo gás e alternativas renováveis. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já havia mencionado a prioridade de investir no setor de biocombustíveis.
A Cosan, controladora da Raízen ao lado da Shell, tem como prioridade reduzir dívidas e melhorar sua performance financeira. A possível entrada da Petrobras pode trazer uma injeção de capital e expertise para a empresa.
A Raízen é uma empresa essencial para o setor de biocombustíveis no Brasil, e a possível entrada da Petrobras pode trazer benefícios para ambos os lados. Além disso, a movimentação pode reacender a disputa entre Cosan, Shell e pequenos produtores de etanol, que buscam uma fatia maior no mercado.
