Apesar de seu tamanho modesto — equivalente ao estado de Alagoas — e de sua escassez de recursos naturais, Taiwan se tornou um dos polos mais dinâmicos da indústria tecnológica global. Localizada a apenas 180 quilômetros da China e com 23 milhões de habitantes, a ilha é hoje a 21ª maior economia do planeta, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Seu crescimento impressionante não foi obra do acaso. A trajetória taiwanesa combina períodos de domínio estrangeiro, reformas estruturais e uma aposta ousada na indústria de alta tecnologia, especialmente nos semicondutores.
O ponto de partida do chamado “milagre taiwanês” ocorreu ainda no início do século XX, durante a colonização japonesa, entre 1895 e 1945.
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Nesse período, o Japão impulsionou a economia local, ampliando as exportações de chá, arroz e cana-de-açúcar, e criando um sistema produtivo mais integrado.
Além disso, o governo colonial implantou indústrias de fertilizantes e têxteis, o que diversificou a pauta exportadora e aumentou o fluxo de capital.
Em 1899, os japoneses fundaram um Banco Central forte, que passou a emitir moeda e padronizar o câmbio, facilitando transações comerciais e estimulando o crescimento.
Esse progresso, no entanto, era desigual. Embora as exportações crescessem, grande parte dos lucros seguia para o Japão, e as famílias locais continuavam com baixa renda.
A virada veio após a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, quando o controle da ilha passou para a República da China, em 1945.
Em 1949, o governo da República da China fugiu do continente após a vitória dos comunistas e transferiu sua sede para Taiwan.
A prioridade imediata foi reconstruir a infraestrutura danificada pela guerra. Com o tempo, o foco passou a ser o fortalecimento da economia e a industrialização.
O Estado manteve forte presença nas decisões econômicas, mas, ao contrário dos japoneses, abriu espaço para a iniciativa privada.
Essa mudança permitiu o surgimento de novos empreendedores e acelerou a modernização do país.
O primeiro grande plano de desenvolvimento visava transformar Taiwan de uma economia essencialmente agrícola em uma baseada na manufatura.
O setor têxtil foi escolhido como alicerce dessa transição, pois demandava menos capital e tinha grande potencial de exportação.
O sucesso da estratégia deu novo fôlego à ilha. O país começou a criar uma base industrial sólida, com crescimento constante e aumento gradual dos salários.
Nos anos 1960 e 1970, Taiwan deu um novo salto ao entrar no setor eletrônico. Inicialmente, as empresas locais produziam aparelhos simples, muitas vezes licenciados de corporações estrangeiras.
Por causa da percepção de baixa qualidade, os fabricantes concentraram suas exportações em mercados emergentes, como Sudeste Asiático, Oriente Médio e América Latina.
Essas vendas, contudo, geraram receitas suficientes para modernizar as fábricas e melhorar o controle de qualidade.
O aprendizado acumulado nesse período foi decisivo para o passo seguinte: o nascimento da indústria de semicondutores.
A história dessa indústria em Taiwan começou em 1964, com a criação de um laboratório de semicondutores na National Chiao Tung University, em Hsinchu. O centro formou engenheiros que mais tarde se tornariam os pioneiros do setor no país.
Nos primeiros anos, o apoio estrangeiro foi limitado, já que grandes corporações hesitavam em investir em linhas de produção de chips na ilha. Os custos eram altos e havia desconfiança sobre a capacidade técnica local.
Mesmo assim, o governo e as universidades continuaram a investir. A insistência deu resultado nos anos 1980, quando Taiwan começou a receber apoio técnico dos Estados Unidos.
Essa cooperação permitiu a fundação da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), que se tornaria a joia da coroa da economia taiwanesa.
A TSMC revolucionou o modelo de produção ao fabricar chips para outras empresas — uma estratégia que a transformou na maior produtora de semicondutores sob encomenda do mundo.
Hoje, a companhia fornece componentes para gigantes como Apple, Amazon e Microsoft.
Atualmente, cerca de 90% dos chips mais avançados do planeta são produzidos pela TSMC. Esses semicondutores são essenciais para a inteligência artificial, smartphones e supercomputadores, tornando a empresa uma peça central na economia global.
Com mais de 70 mil funcionários, a TSMC mantém nove fábricas em Taiwan e está expandindo suas operações para países como Japão, Estados Unidos e Alemanha.
Mesmo com a concorrência acirrada da Coreia do Sul, sede da Samsung, Taiwan segue na liderança mundial da produção de chips. Seus produtos são mais eficientes, compactos e rápidos que os fabricados em outros países.
Essa supremacia tecnológica é o resultado de mais de um século de transformações — da colonização japonesa à aposta estratégica em educação e inovação.
Hoje, o país que um dia exportava arroz e chá é responsável por alimentar a economia digital global com o produto mais valioso da era moderna: os semicondutores.
Com informações de Veja.
