O custo oculto: petróleo apaga 70% da queda do desmatamento. Embora o Brasil tenha alcançado um feito significativo na redução do desmatamento nas últimas quatro décadas, não é tão simples celebrar essa conquista.
As emissões diretas do desmatamento caíram drasticamente nos últimos anos, e o país fez história ao registrar a menor taxa de destruição da Amazônia nos últimos 11 anos. Além disso, o impacto ambiental dessa redução é notável, com uma economia de cerca de 371 milhões de toneladas de CO₂ em 2024. Contudo, por trás desse êxito, há um fator oculto que começa a ganhar destaque: as emissões “ocultas” do petróleo.
As estatísticas indicam que as exportações de petróleo do Brasil cresceram enormemente entre 2022 e 2025, chegando a um aumento de 138% no mesmo período em que o desmatamento caiu na metade. E, curiosamente, é exatamente esse aumento nas exportações de petróleo que compensa grande parte da conquista ambiental. Isso porque o petróleo exportado não só não é queimado no Brasil como também é consumido em outros países, que despejam as emissões no meio ambiente global. Em outras palavras, a contribuição indireta do Brasil para a crise climática começa a se tornar flagrante.
A conexão entre as exportações de petróleo e o desmatamento não é apenas teórica. Os dados indicam que as emissões “ocultas” do petróleo do Brasil anulam quase 70% da redução do desmatamento. Em outras palavras, apesar de o Brasil ter avançado na redução do desmatamento, as emissões geradas pela indústria petrolífera acabam reacendendo o fogo da crise climática. Isso não quer dizer que os sucessos na redução do desmatamento sejam irrelevantes, mas que, em termos de impacto global, a questão é mais complexa do que parece.
