Ninguém quer ser engenheiro? Mercado aquecido, mas sem profissionais: por que o Brasil corre contra o tempo para evitar um apagão na engenharia.
O mercado de construção brasileiro vive um momento de euforia, com uma demanda alta e oportunidades de emprego em abundância. No entanto, há um problema: as empresas não encontram engenheiros com o perfil necessário para preencher essas vagas. É um paradoxo: enquanto o setor apresenta uma demanda firme, a oferta de profissionais qualificados está em franca desaceleração.
O alerta do Confea
O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) alerta para o risco de um “apagão” na próxima década se a tendência não mudar. E a razão é simples: há uma disparidade entre a formação e as expectativas do setor. As empresas procuram por engenheiros com habilidades específicas, mas os jovens não estão se interessando pela carreira. “Daqui a pouco vamos acabar tendo um ‘apagão’ de mão de obra se isso continuar”, alerta Fernando Feltz, diretor do Sinduscon-ES.
No Espírito Santo, os representantes da construção civil descrevem um cenário de oportunidades não preenchidas. As empresas investem em treinamento interno ou prolongam os processos de seleção para encontrar os candidatos ideais. Mas o problema não é único do estado. Segundo o sindicato e conselhos profissionais, o diagnóstico se repete em outras regiões do país.
A formação em xeque
As coordenações de curso também observam uma queda no interesse dos jovens em ingressar em carreiras de engenharia. “No ano passado, no Congresso Brasileiro de Engenharia, dados mostraram que está diminuindo a quantidade de alunos ingressantes ao longo dos anos”, conta Clarisse Pereira, coordenadora dos cursos de Engenharia de Produção e Engenharia Civil do UniSales. Além disso, há um desalinhamento entre o que os jovens imaginam e o que encontram no mercado. “Não há um salário tão bom para todo mundo que se forma. Muitas empresas contratam com outras titulações, como auxiliar. Isso significa que quando você se forma, não é garantido que vá encontrar um trabalho que atenda às suas expectativas”, explica.
A situação é um desafio para o Brasil, que precisa preparar os jovens para o mercado de trabalho. O país precisa de engenheiros para impulsionar o crescimento econômico e infraestrutural. É um alerta para que todos os envolvidos – governos, empresas e instituições de ensino – trabalhem juntos para mudar a tendência e evitar o “apagão” na engenharia.
