Nem 10%: Casa Branca retira tarifa de importação sobre celulose brasileira
Em uma decisão que pode impactar fortemente a indústria brasileira de celulose, a Casa Branca anunciou a retirada da tarifa de 10% sobre a importação desse produto, vindo de diversos países, incluindo o Brasil. A medida, que entra em vigor desde a última segunda-feira (8), foi publicada na sexta-feira (5) e faz parte de uma reavaliação das “tarifas recíprocas” impostas em abril. A celulose brasileira era alvo de um adicional justamente nesse período, o que gerava uma desvantagem no mercado americano.
Brasil, o gigante da celulose no mercado americano
O Brasil é um dos maiores exportadores de celulose de fibra curta para os Estados Unidos. Segundo estimativas, em 2024, o Brasil exportou 2,8 milhões de toneladas do produto, representando cerca de 78% do consumo americano. A suspensão da tarifa de 10% beneficia diretamente o Brasil e seus principais produtores, como a Suzano, que exporta grande parte da sua produção para o mercado americano.
Uma vitória para os exportadores, mas com ressalvas
Embora a eliminação da tarifa seja considerada uma vitória para o setor, vale destacar que outros produtos brasileiros, como papéis em geral e painéis de madeira, continuam sob tarifas de 50% e 40% respectivamente. A situação deixa, portanto, um cenário misto: a celulose brasileira agora tem mais chances de competitividade no mercado americano, enquanto outros produtos ainda enfrentam dificuldades.
A Suzano e os reajustes de preços
A Suzano, uma das maiores empresas de celulose do mundo, já havia informado ao mercado sobre a negociação com seus clientes para repassar o custo extra da tarifa para seus produtos. A notícia, portanto, terá um impacto mínimo na companhia. “Nós já havíamos ajustado os preços para os clientes”, declarou Marcos Assumpção, CFO da Suzano, em entrevista recente.
O CFO também destacou que a empresa já havia aplicado reajustes de preços após a implementação da tarifa de 10%. Neste ano, novos aumentos foram anunciados, elevando os preços em US$ 80 por tonelada tanto na Europa quanto nos EUA.
Embora não haja comentários sobre a duração da isenção da tarifa de 10%, o movimento demonstra a preocupação do governo americano em manter o suprimento de celulose, um insumo crucial para diversos setores industriais.
