Montadora japonesa que faz história há anos no Brasil pode colocar R$ 10 bilhões na mesa para se tornar ‘dona’ da Raízen ao lado de Cosan e Shell, diz Bloomberg

Montadora japonesa que faz história há anos no Brasil pode colocar R$ 10 bilhões na mesa para se tornar ‘dona’ da Raízen ao lado de Cosan e Shell, diz Bloomberg

Economia

A Mitsubishi avalia investir R$ 10 bilhões para entrar no capital da Raízen, empresa controlada por Cosan e Shell. A informação foi divulgada pela Bloomberg nesta terça-feira (02).

As discussões ainda estão em estágio inicial, e o conglomerado japonês analisa se apresentará proposta formal para a aquisição de ações.

Segundo a agência, a operação envolveria um aumento de capital, o que poderia resultar em diluição da participação da Cosan.

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A ideia é reforçar o caixa da Raízen em meio ao elevado endividamento e à pressão do mercado. Até o momento, não há definição sobre percentual de participação ou formato da transação.

Horas depois da publicação da Bloomberg, a Cosan confirmou em comunicado que, junto com a Shell, estuda a entrada de novos investidores.

O texto ressalta, no entanto, que nenhum acordo foi firmado e que eventuais tratativas não são vinculantes nesta fase.

O contexto financeiro explica o movimento.

No balanço da safra 2025/26, divulgado em 14 de agosto, a Raízen reportou prejuízo líquido de R$ 1,8 bilhão e uma dívida líquida de R$ 49,2 bilhões.

A alavancagem atingiu 4,5 vezes o Ebitda ajustado, reflexo principalmente do aumento dos custos financeiros atrelados ao CDI.

Na avaliação de analistas, a companhia precisa acelerar medidas de desalavancagem, como redução de investimentos, cortes em operações de trading e novas vendas de ativos.

A expectativa é que um aporte externo se torne essencial para aliviar a estrutura de capital.

Com a chegada de Nelson Gomes à presidência no fim de 2024, a empresa iniciou uma ampla reestruturação.

Parte dessa estratégia é a revisão do portfólio de negócios, que já resultou em desinvestimentos relevantes.

O exemplo mais recente ocorreu em 29 de agosto de 2025, quando a Raízen anunciou a venda das usinas Passa Tempo e Rio Brilhante, em Mato Grosso do Sul, para a Cocal.

A operação foi avaliada em R$ 1,325 bilhão, podendo alcançar R$ 1,543 bilhão dependendo de ajustes de entressafra.

O pacote inclui capacidade de moagem de 6,2 milhões de toneladas, além de contratos de fornecimento de cana e áreas agrícolas.

O enfraquecimento dos indicadores financeiros impactou diretamente a performance em bolsa.

Somente em 2025, até esta terça (2), as ações da Raízen acumulam queda de cerca de 43%, o que reduziu o valor de mercado da companhia para aproximadamente R$ 12,8 bilhões.

O recuo aumenta a pressão por reforço de capital, já que emissões em momentos de fragilidade costumam ter custo elevado.

A entrada da Mitsubishi é vista como estratégica. O conglomerado japonês tem tradição em investimentos no Brasil e presença consolidada em setores de energia e commodities.

Embora ainda não haja detalhes sobre possíveis sinergias, a experiência internacional e a solidez financeira da empresa poderiam fortalecer a plataforma integrada da Raízen, que vai do etanol e açúcar à distribuição de combustíveis.

Sem cronograma definido, as conversas permanecem exploratórias.

O desfecho dependerá da negociação entre Cosan e Shell, da disposição da Mitsubishi em investir e das condições de mercado.

Em paralelo, a Raízen segue com sua agenda de desinvestimentos e busca melhorar margens operacionais na safra atual.

A expectativa do mercado é de que um aporte dessa dimensão traga fôlego ao caixa e reduza a alavancagem.

Ainda assim, resta a dúvida: a chegada de um novo sócio será suficiente para reequilibrar a companhia ou apenas dará tempo extra até a próxima safra?

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