Moeda do Brasil é a mais usada em ilha no Amazonas disputada por Peru e Colômbia
A ilha de Santa Rosa, localizada no meio do rio Amazonas, é habitada por cerca de 3.000 pessoas e está no centro de uma disputa territorial entre o Peru e a Colômbia. Recentemente, o presidente colombiano Gustavo Petro provocou polêmica ao afirmar que o governo do Peru ocupou um território que pertence à Colômbia. A área em questão é considerada parte do território peruano, mas a Colômbia questiona sua soberania.
História de disputas
A disputa pela ilha remonta ao início do século XX, quando Colômbia e Peru firmaram um tratado que dividiu o Amazonas pelo canal de navegação mais profundo, e não pela metade do rio. No entanto, essa divisão gerou rejeição nos dois países e resultou na guerra colombo-peruana de 1932. Após a ratificação do tratado, os países compartilham 116 quilômetros do Amazonas. Na época, existiam apenas duas ilhas: Ronda e Chinería.
Com o passar do tempo, sedimentos vindos dos Andes formaram novas ilhas, cujo controle ainda não foi definido. A ilha de Santa Rosa é uma delas e está próxima à chamada “tríplice fronteira” entre Peru, Colômbia e Brasil. O comércio local é fortemente influenciado pelos países vizinhos.
O quotidiano em Santa Rosa
No dia a dia, os moradores da ilha usam principalmente o real brasileiro como moeda. Produtos básicos, como arroz, açúcar e óleo, chegam em sua maioria do Brasil. O transporte encarece os preços. Um quilo de arroz custa cerca de 5 soles e o óleo chega a 9 soles. Um real equivale, em média, a 0,65 sol. Além disso, itens como bebidas e água mineral vêm da cidade colombiana de Leticia, localizada ao lado da ilha.
A ausência de revisões periódicas da fronteira faz com que a situação seja ainda mais complexa. Em junho, o Congresso peruano aprovou a criação do “novo distrito de Santa Rosa de Loreto” na ilha, o que motivou o repúdio do presidente colombiano. Petro também anunciou a transferência da comemoração da Batalha de Boyacá para Leticia, cidade colombiana próxima da área.
A disputa pela ilha de Santa Rosa é um reflexo da complexidade das relações entre os países que compartilham a fronteira amazônica. Enquanto a situação se desenrola, a população local procura manter sua rotina, usando a moeda do Brasil para comprar produtos essenciais e mantendo um fluxo comercial constante entre as comunidades fronteiriças.
A falta de definição sobre a soberania da ilha de Santa Rosa é um exemplo da dinâmica complexa das fronteiras amazônicas, que mudam com o tempo. Enquanto os governos discutem a questão, a população local se adapta e encontra formas de viver em harmonia com a natureza e com os países vizinhos.