Mesmo com queda global do petróleo, Petrobras mantém gasolina mais cara que referência internacional, aponta Ineep. Um novo boletim do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) revela que a Petrobras está continuando a vender combustíveis em preços superiores à paridade internacional (PPI) em suas refinarias.
É importante ressaltar que a sequência de quedas nas cotações do petróleo no mercado externo e a valorização do real frente ao dólar não foram suficientes para reduzir os preços domésticos para os níveis internacionais. Segundo o levantamento do Ineep, em setembro, o preço da gasolina nas refinarias da estatal ficou 12% acima da referência internacional, sendo a maior diferença registrada em 2025. Ainda mais preocupante é que há mais de três meses os valores internacionais de referência estão abaixo dos preços aplicados pela Petrobras, superando a média observada antes do reajuste que reduziu os combustíveis no início de junho.
No entanto, é interessante notar que o GLP (gás de cozinha) segue mantendo preços alinhados ao PPI, sem grandes variações. Ao contrário, o diesel, que apresentou um aumento momentâneo entre junho e agosto, voltou a se aproximar dos valores de referência internacional. O relatório do Ineep sugere que esse cenário abre margem para novas reduções, especialmente da gasolina, sem comprometer de forma significativa os resultados operacionais da Petrobras. Esse é um ponto importante, pois os números mostram que a fatia da distribuição dos combustíveis aumentou significativamente em 2025, alcançando mais da metade do preço final do botijão. Isso significa que os custos logísticos e margens de revenda estão ganhando peso no mercado.
A mudança na composição dos preços dos combustíveis ao longo do ano é também um ponto importante a ser considerado. O aumento da parcela destinada à distribuição, que inclui custos logísticos e margens de revenda, é um indicador de que o mercado está se adaptando a novas realidades. É claro que o petróleo e o clima estão interligados, e as mudanças climáticas estão afetando a forma como os combustíveis são produzidos e consumidos. É importante que a Petrobras e o mercado estejam atentos a essas mudanças e sejam capazes de se adaptar às novas realidades.
Enquanto isso, a economia brasileira está se beneficiando do recuo do petróleo e do ganho de valor do real. De acordo com o boletim do Ineep, a estatal tem sido uma das principais ganhadoras desse cenário, com uma forte presença no mercado e uma capacidade de se adaptar às mudanças. No entanto, é importante lembrar que a competição no mercado é feroz, e a Petrobras deve continuar a se adaptar e se inovar para não perder a competitividade.