Mais de dois terços dos motoristas e entregadores de app revelam: trabalham por necessidade e vivem sob pressão constante em jornadas exaustivas e mal pagas no Brasil.
Um sonho de liberdade e renda flexível que atraiu milhares de brasileiros ao trabalho por aplicativo parece ter se esvaziado de sua promessa original. As pessoas que trabalham nessas plataformas estão longe de viver uma vida fácil e próspera. De fato, a realidade é muito mais cruel do que isso. Segundo uma pesquisa nacional realizada pela startup GigU, criada em 2017 para apoiar motoristas e entregadores com soluções financeiras e de segurança, a maioria desses trabalhadores é forçada a continuar nesse emprego por necessidade e não por escolha. Três em cada cinco profissionais (60,5%) confessam que deixariam imediatamente as plataformas de aplicativos se tivessem uma outra opção de emprego.
O que é mais preocupante é que os trabalhadores dessas plataformas estão vivendo em um ambiente de desconfiança, exaustão e falta de segurança. 77,3% dos entrevistados afirmam que as empresas de aplicativo não se preocupam com seu bem-estar, e apenas 3,4% dizem se sentir seguros durante as jornadas. Além disso, esses profissionais enfrentam um cenário de baixos ganhos e dívidas que parecem não ter fim. Quase quatro em cada dez (38,3%) ganham até R$ 5 mil por mês, mas a maioria (74,6%) gasta até R$ 3,5 mil apenas para manter-se ativa na função, o que significa que os lucros são reduzidos para a mínima expressão. As despesas envolvem combustível, alimentação, manutenção, seguro e aluguel de veículos.
A pesquisa também revelou que a maioria dos trabalhadores dessas plataformas não escolheu essa vida, e sim foi obrigada a se adaptar às circunstâncias difíceis do mercado de trabalho formal. O desemprego é uma das principais motivações para atuar nas plataformas, seguido pelo desejó de complementar a renda (39,5%) e pela flexibilidade de horários (31,2%). É um misto de necessidade e oportunidade, mas onde está a liberdade? Com a constante pressão e a falta de estabilidade, é um milagre que muitos desses trabalhadores consigam manter-se em pé e continuarem a lutar por uma vida melhor.
