Justiça condena professor da UFRJ que pediu ‘guilhotina’ para a filha de Justus
Um julgamento recente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) marcou o fim de uma série de eventos inusitados. No centro desse caso, encontramos o educador aposentado Marcos Dantas, conhecido por suas opiniões fortes e metáforas criativas. Ainda que muitos sejam a favor da liberdade de expressão, é importante recordar que, na vida real, a linguagem tem consequências.
O caso em questão envolveu a filha de Roberto Justus, influente empresário, e a modelo Ana Paula Siebert. Em um vídeo publicado após a repercussão do caso, o casal defendeu a filha, argumentando que a menina, de apenas 5 anos de idade, não merecia ser alvo de tanta crítica. O vídeo foi compartilhado após Vicky aparecer segurando uma bolsa de grife em uma publicação no Twitter, a qual sugeriu que o valor do item seria de R$ 14 mil. Em meio à discussão, surgiram comentários, dentre os quais se destacava a frase de Marcos Dantas: “Só a guilhotina…”.
Marcos Dantas se apresentou como educador e utilizou o contexto histórico da Revolução Francesa como forma de comparação. No entanto, seu comentário foi interpretado de outra maneira por muitos e levou à uma condenação judicial. “Uma metáfora tornou-se ameaça de crime”, lamentou o educador. O advogado do empresário Roberto Justus relatou que o professor foi condenado a pagar R$ 150 mil a cada autor da ação, incluindo honorários e custos, e que o caso tramita no Fórum Regional de Pinheiros.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também não esteve omisa no assunto e, em uma nota pública, repudiou as declarações do professor e destacou a importância de respeitar a todos os indivíduos. “Uma imagem, repito, imagem, ‘print’ chegou-me, do jeito aleatório que chega no X, acompanhada de um comentário de pessoa com a qual volta e meia troco mensagens pelo X, fazendo referência a outro fato histórico, pelos mesmos motivos, igualmente violento e dramático. Eu, inspirado na famosa frase de Maria Antonieta – “se não tem pão, comam biscoitos” respondi com a dita metáfora. Entendo ser um símbolo dramático que nos alerta a todos”, disse o professor. Mas, mesmo assim, a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo foi condenando a pagar uma grande soma de dinheiro ao casal.
Para alguns, a condenação de Marcos Dantas foi justificada, já que a linguagem utilizada foi considerada ofensiva e ameaçadora. Já outros, ainda debatem se a condenação foi realmente necessária e se a liberdade de expressão deve ser respeitada. O debate acirrado entre as duas facções ilustra a complexidade do tema e a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre a linguagem que utilizamos na vida real.