O Pix, criado pelo Banco Central do Brasil em 2020, se tornou um dos maiores fenômenos financeiros da história recente. Com mais de 160 milhões de usuários ativos e trilhões movimentados anualmente, ele inspirou dezenas de países a criarem suas próprias versões do sistema. Agora, quem segue esse caminho é a Colômbia, que lançou oficialmente o Bre-B (Banco de la República en Línea) em 6 de maio de 2024, segundo anúncio do Banco da República, o banco central colombiano.
A meta é ambiciosa: transformar completamente a forma como os colombianos fazem pagamentos, transferências e transações diárias sem depender de dinheiro físico e com liquidação instantânea.
O Bre-B é a sigla para Banco de la República en Línea (Banco da República Online). Desenvolvido em parceria com o governo colombiano e com as principais instituições financeiras do país, o sistema funciona de forma muito semelhante ao Pix brasileiro:
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Segundo o Banco da República, o objetivo é garantir inclusão financeira a milhões de colombianos que ainda estão fora do sistema bancário tradicional. Estima-se que mais de 40% da população da Colômbia ainda não tenha conta em banco — um número que o Bre-B pretende reduzir de forma drástica até 2026.
“O Bre-B é o primeiro passo para a transformação digital do sistema financeiro colombiano. Ele se inspira em modelos bem-sucedidos como o Pix e visa reduzir custos, aumentar a segurança e democratizar o acesso ao dinheiro eletrônico”, afirmou Leonardo Villar, gerente-geral do Banco da República, durante a cerimônia de lançamento.
Com o Bre-B, qualquer cidadão colombiano poderá enviar ou receber dinheiro em segundos, usando apenas o celular, mesmo sem cartão de crédito.
A expectativa é que milhões de microempreendedores, motoristas de aplicativo, ambulantes e prestadores de serviço passem a operar de forma digital, sem depender de intermediários ou taxas bancárias elevadas.
O sistema também promete fortalecer o comércio eletrônico e a economia informal, oferecendo uma alternativa simples e segura para transações entre pessoas físicas e jurídicas.
Assim como aconteceu no Brasil, o Bre-B deve reduzir significativamente o uso de cédulas e o custo operacional do dinheiro físico.
“Nossa meta é que o Bre-B se torne parte da rotina dos colombianos, assim como o Pix é no Brasil”, declarou Adriana Arango, diretora de inovação financeira do Banco da República.
Desde a sua criação, o Pix brasileiro se tornou modelo internacional. O Banco Central do Brasil foi procurado por diversos países da América Latina, África e Ásia interessados em replicar o sistema.
Entre os que já criaram ou estão desenvolvendo soluções semelhantes estão Argentina (Transferencias 3.0), México (CoDi), Índia (UPI) e agora Colômbia (Bre-B).
Segundo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Pix é considerado “a maior referência global em pagamentos instantâneos integrados”.
O êxito do modelo brasileiro inspirou políticas públicas que conectam bancos, fintechs e cidadãos em tempo real, promovendo uma revolução silenciosa na forma como o dinheiro circula.
A adoção do Bre-B representa mais um passo nessa expansão regional — consolidando o Brasil como exportador de inovação financeira e a Colômbia como líder da modernização bancária na América do Sul.
Com o Bre-B, os bancos da Colômbia passam a ser obrigados a integrar seus sistemas à plataforma central do Banco da República, garantindo que todas as instituições financeiras conversem entre si. A interoperabilidade é a chave para o sucesso e o mesmo princípio que transformou o Pix em um fenômeno.
Além disso, o sistema é totalmente digitalizado, o que significa redução de fraudes, rastreabilidade de operações e maior transparência fiscal. As transações são monitoradas por inteligência artificial, capaz de identificar padrões suspeitos e prevenir golpes em tempo real.
O governo colombiano também anunciou que o Bre-B será integrado a programas sociais e transferências governamentais, permitindo que benefícios sejam pagos diretamente nas carteiras digitais dos cidadãos sem intermediários ou filas bancárias.
A plataforma do Bre-B utiliza uma arquitetura de cloud banking, com servidores redundantes e criptografia de ponta a ponta, semelhante ao modelo adotado pelo Banco Central do Brasil. O sistema é baseado no protocolo ISO 20022, o mesmo usado por redes globais como SWIFT e FedNow (o sistema de pagamentos instantâneos dos EUA).
Essa base tecnológica garante segurança, escalabilidade e velocidade, com tempo médio de liquidação inferior a 2 segundos. O sistema também será compatível com pagamentos offline, usando tokens temporários que permitem transações mesmo sem internet — recurso previsto para 2025.
O lançamento do Bre-B marca uma virada histórica na economia da Colômbia. Especialistas estimam que o sistema pode movimentar mais de US$ 150 bilhões por ano quando estiver totalmente implementado, reduzindo custos para empresas e impulsionando o consumo interno.
Além disso, o país deve ganhar maior competitividade internacional, atraindo fintechs e startups de pagamentos digitais interessadas em desenvolver soluções integradas ao novo ecossistema.
A expectativa é que o Bre-B também fortaleça o comércio entre Brasil e Colômbia, já que as duas nações estudam futuras integrações entre sistemas instantâneos regionais no âmbito do Mercosul e da Aliança do Pacífico.
O Bre-B representa mais do que uma inovação financeira é o símbolo da influência tecnológica do Brasil sobre seus vizinhos latino-americanos. Inspirado diretamente no Pix, o novo sistema colombiano reforça o papel da América do Sul como berço de soluções financeiras disruptivas que unem simplicidade, eficiência e inclusão.
Assim como o Pix mudou o cotidiano do brasileiro, o Bre-B promete transformar a relação dos colombianos com o dinheiro, abrindo caminho para uma economia mais moderna, digital e conectada.
E no centro dessa transformação, está a prova de que a inovação brasileira está ditando o ritmo do futuro financeiro mundial.
