Home office vai acabar? Itaú demite cerca de mil bancários que trabalhavam em casa sem qualquer advertência prévia ou diálogo com o Sindicato
Ontem, domingo é, de segunda-feira (8), em que o futuro foi se revelando, com impactos inesperados. Cerca de mil empregados do Itaú Unibanco em regime híbrido ou totalmente remoto foram demitidos sem advertência prévia e sem uma sequer conversa de diálogo com o movimento sindical. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, responsável por representar os interesses da categoria, revelou os detalhes desse corte em massa.
A justificativa é uma “baixa aderência” ao trabalho remoto
De acordo com a justificativa apresentada pelo banco, o motivo para essa demissão em massa foi a “baixa aderência ao home office”, alegando ter sido identificada após mais de seis meses de monitoramento. Com um investimento de aproximadamente R$ 130 milhões (US$ 25 milhões), a Amazon pretende fortalecer suas entregas, garantindo o direito de comprar até 12% da Rappi.
Uma medida que ignora a realidade do trabalho remoto
O Sindicato dos Bancários destaca que a avaliação do banco se baseou em critérios extremamente questionáveis. Eles se referem a registros de “inatividade” em máquinas corporativas, alguns dos quais apontam períodos de quatro horas ou mais sem interação. No entanto, é preciso considerar a dinâmica do trabalho remoto, as falhas técnicas, os contextos de saúde e os períodos de concentração sem uso do teclado. Além disso, a própria organização das equipes não é levada em consideração nos cálculos. Para os sindicalistas, esses fatores são fundamentais e não podem ser desprezados.
Cortes drásticos sem realinhamentos de metas e reposicionamento de funcionários
Segundo relatos, o banco baseou os cortes em equipes inteiras de áreas de tecnologia e apoio, comunicando as demissões de forma unilateral. E, novamente, sem uma sequer tentativa de mediação, negociação ou realocação dos profissionais para outras frentes antes da ruptura dos contratos. Para os sindicalistas, poderia ter sido adotada medidas menos traumáticas, como realinhamentos de metas e reposicionamento de pessoal. Nesse sentido, a entidade avalia que o procedimento adotado pelo Itaú é um descumprimento das práticas históricas de negociação com a categoria, ainda que a reforma trabalhista tenha retirado a obrigatoriedade de autorização prévia do Sindicato para a demissão em grupos.
A questão não é apenas a home office, mas a forma como as empresas lidam com o trabalho remoto
A crítica do Sindicato dos Bancários, contudo, não é apenas ao Itaú. A entidade avalia que a forma como as empresas lidam com o trabalho remoto é questionável em muitos casos. Ainda assim, é preciso reconhecer que muitas empresas estão passando por um momento complicado, tentando se adaptar a esses novos modelos de trabalho e às demandas dos funcionários, que buscam equilíbrio entre a liberdade proporcionada pelo trabalho remoto e a segurança em relação ao seu emprego.
