Há dois séculos, orcas e povos antigos caçavam baleias lado a lado em uma tradição sagrada e impressionante

Há dois séculos, orcas e povos antigos caçavam baleias lado a lado em uma tradição sagrada e impressionante

Há dois séculos, orcas e povos antigos caçavam baleias lado a lado em uma tradição sagrada e impressionante. Na costa leste da Austrália, uma parceria singular uniu orcas e humanos na caça de baleias jubarte. Conhecidas como beowas pelo povo Thaua, da nação Yuin, essas orcas colaboravam ativamente na perseguição a seus parentes marinhos.

Essas orcas eram mais do que apenas caçadoras. Elas eram parceiras leais dos caçadores indígenas e, posteriormente, dos colonizadores europeus. Em uma prática que durou décadas, elas guiavam as embarcações até as presas em troca de suas partes preferidas das baleias: língua e lábios. Essa tradição, chamada de “Lei da Língua”, era sagrada e foi transmitida de geração em geração.

Os homens Thaua entoavam cantos enquanto as orcas conduziam as embarcações até as presas. A cooperação era tão eficaz que, em 1942, o Sydney Morning Herald descreveu como, no dia 1º de junho de cada ano, “as baleias assassinas vinham da Antártida e tomavam seus postos, como soldados de guarda”. Elas patrulhavam a baía de Turembulerrer, hoje Twofold Bay, colaborando com caçadores indígenas e colonizadores europeus.

A Era de Ouro da Caça

Com a chegada dos europeus, a caça passou de prática de subsistência a indústria lucrativa. Registros mostram que as orcas batiam suas caudas na água, em frente à estação baleeira de Eden, para avisar sobre a presença de baleias. Era um sinal para os caçadores que as baleias estavam próximas. Entre todas as orcas, uma se destacou: Old Tom, uma orca de sete metros que, por quatro décadas, trabalhou com a família Davidson.

A tradição local conta que as orcas escolhiam seus parceiros humanos. Old Tom foi encontrado morto em 1930, e pouco tempo depois, toda a população de orcas da região desapareceu. Quase um século depois, a cientista Isabella Reeves, da Universidade Flinders, analisou dentes e maxilar de Old Tom em busca de DNA.

O Legado de Old Tom

O estudo revelou que Tom provavelmente compartilhava um ancestral com orcas da Nova Zelândia. No entanto, muitas variantes genéticas não existem mais em populações vivas, desaparecendo com a extinção da linhagem. Agora, o esqueleto de Old Tom está preservado no Museu da Baleia Assassina, no sudeste australiano, um lembrete daquela fascinante parceria entre humanos e orcas.

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