Frigoríficos no Uruguai viram campo de batalha entre Marfrig e Minerva
A disputa pela posse de plantas de carne bovina no Uruguai acaba de escalar para um novo patamar. A Marfrig e a Minerva, duas das principais processadoras brasileiras de carne, estão em confronto pela compra de três frigoríficos no país. A venda havia sido acordada, mas a Marfrig afirma que foi automaticamente encerrada após a Minerva não obter aprovação antitruste no Uruguai dentro do prazo de dois anos.
Tarifas dos EUA tornam ativos mais valiosos
Mas por que essas plantas uruguaias se tornaram tão estratégicas para ambas as empresas? A resposta está nas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre as exportações de carne bovina do Brasil. Com essas barreiras comerciais, as plantas no Uruguai se tornaram mais valiosas para as processadoras brasileiras, pois permitem contornar as restrições de comércio.
A autoridade antitruste do Uruguai havia bloqueado o negócio, alegando que a Minerva teria poder excessivo no mercado de gado do país. No entanto, a Minerva contesta a decisão e afirma que o acordo continua em vigor. A empresa recorreu da decisão e agora aguarda o desfecho da disputa.
A importância dessas plantas no Uruguai pode ser medida pelo volume de carne bovina exportada para os EUA. Segundo dados da IHS Markit Customs, a National Beef, controlada pela Marfrig e uma das maiores fornecedoras de carne bovina nos EUA, já importou carne do Uruguai. A Minerva também envia carne uruguaia para os EUA, mostram os registros.
Consequências para as ações das empresas
A disputa parece ter afetado as ações das duas empresas. Na sexta-feira, as ações da Marfrig subiram até 6,1%, enquanto a Minerva avançou até 2%, embora tenha perdido os ganhos posteriormente.
O desfecho dessa disputa pode ter consequências significativas para as duas empresas e para o mercado de carne bovina em geral. Enquanto a Marfrig e a Minerva aguardam o resultado da revisão antitruste, resta saber quem sairá vitorioso dessa batalha pela posse das plantas uruguaias.
