O Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML), criado em 2008 entre Brasil e Argentina e hoje ampliado para outros países do Mercosul, vive um momento de expansão. O mecanismo, administrado pelos bancos centrais dos países participantes, permite que empresas façam comércio exterior usando diretamente suas moedas nacionais — como reais, pesos e guaranis — sem necessidade de conversão prévia para o dólar.
Essa alternativa, que parecia marginal há poucos anos, começa a ganhar escala em 2025. Segundo o Banco Central do Brasil, milhares de transações já são liquidadas por meio do SML todos os anos, e governos planejam ampliar o sistema para mais operações e setores estratégicos.
Na prática, o SML é simples:
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O resultado é uma transação direta em moedas locais, que elimina custos de conversão cambial, reduz a exposição às variações do dólar e simplifica o processo de pagamento.
O comércio em moedas locais oferece vantagens claras:
Para governos, o SML é também uma ferramenta geopolítica: sinaliza maior autonomia diante da hegemonia do dólar e fortalece a integração latino-americana.
Durante anos, circulou a ideia de criar uma moeda única do Mercosul, hipótese defendida por setores políticos mas considerada inviável por economistas.
Em 2023 e 2024, o próprio governo brasileiro descartou essa possibilidade e reafirmou a prioridade em expandir o SML.
Na prática, a moeda única esbarrava em diferenças estruturais entre as economias do bloco. Já o SML é visto como alternativa pragmática e funcional, que pode crescer passo a passo, sem a necessidade de reformas profundas.
O Brasil é o maior parceiro comercial da Argentina no Mercosul e responde por grande parte das transações feitas pelo SML.
Com a crise cambial argentina e a escassez de dólares no país vizinho, o sistema ganhou ainda mais importância.
Empresas argentinas passaram a usar o mecanismo como forma de manter importações de produtos brasileiros sem depender da difícil obtenção de moeda americana. Isso fortalece o comércio bilateral e ajuda a preservar cadeias de produção industriais nos dois países.
Desde sua criação, o SML movimentou bilhões de dólares em equivalentes de moedas locais. Em 2024, as operações cresceram em ritmo acelerado, especialmente em setores como automotivo, agroindustrial e de máquinas.
Apesar de ainda representar uma fração pequena do comércio total do Mercosul, a tendência é de expansão.
Em reuniões recentes, ministros da Economia do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai discutiram ampliar o sistema para mais tipos de contratos e aumentar os limites operacionais.
Apesar dos avanços, o SML enfrenta desafios importantes:
Mesmo assim, especialistas avaliam que o fortalecimento do SML é um passo realista para reduzir a vulnerabilidade externa dos países do Mercosul.
A expansão do SML no Mercosul se conecta a um movimento maior: a tentativa de reduzir a dependência global do dólar.
Enquanto os BRICS discutem pagamentos em moedas locais e a China amplia acordos de petróleo em yuan, a América do Sul aposta em uma solução regional, prática e gradual.
O fato de o comércio entre Brasil e Argentina — economias que juntas somam mais de US$ 1 trilhão em PIB — poder ser feito em moedas locais já representa um sinal claro de que a hegemonia do dólar é contestada, ainda que de forma parcial.
O Sistema de Pagamentos em Moeda Local é hoje um dos instrumentos mais concretos para integrar economicamente o Mercosul. Ele não substitui o dólar por completo, mas oferece um caminho seguro para transações mais baratas, rápidas e independentes.
Apostar no SML é mais que uma escolha técnica: é um gesto político de autonomia, um recado ao mercado internacional de que o bloco busca caminhos próprios para crescer e resistir às turbulências globais.
Se o comércio regional em reais e pesos continuar a crescer, o Mercosul pode se tornar exemplo de como blocos emergentes conseguem desafiar, pouco a pouco, a lógica do dólar dominante.
