O manto de Marte contém blocos antigos de até 4 km de largura. Esses fragmentos estão preservados como fósseis geológicos da história violenta do planeta. A conclusão faz parte de uma análise de dados sísmicos coletados pela missão InSight da NASA.
O manto é a camada que fica entre a crosta e o núcleo. Nele, podem estar as chaves para entender a origem e a evolução dos planetas rochosos.
Na Terra, o movimento das placas tectônicas mistura o manto constantemente. Já em Marte, isso não ocorre porque o planeta é menor e tem uma única placa. Portanto, seu interior conserva mais vestígios da formação original.
Cientistas reviveram na Sibéria um rotífero bdeloide preservado no permafrost havia 24.000 anos ele “acordou” e voltou a se reproduzir sozinho
Android vai bloquear instalação de APKs não verificados, e o Brasil será um dos primeiros países afetados
Enxames de drones: pesquisadores criam solução que permite drones se comunicarem em tempo real e evitarem colisões
Amolecer carne com bicarbonato realmente funciona? Técnica caseira divide opiniões
O Dr. Constantinos Charalambous, do Imperial College London, liderou o estudo que analisou dados sísmicos do InSight. A equipe examinou oito martemotos, alguns provocados por impactos de meteoritos.
Eles observaram que ondas P de alta frequência chegavam atrasadas ao atravessar as regiões profundas do manto. Esse comportamento indicou pequenas variações na composição interna do planeta.
Segundo os pesquisadores, essas irregularidades permanecem porque Marte não possui reciclagem tectônica em larga escala. Assim, os sinais revelam restos diretos de sua história inicial.
Os cientistas apontam que a escala dessas diferenças internas sugere uma origem em eventos extremamente violentos. Colisões massivas nos primeiros tempos do planeta fraturaram seu interior e espalharam materiais da crosta para o manto.
Além disso, vastos oceanos de magma se cristalizaram posteriormente. Esse processo adicionou novas variações à estrutura interna.
Em vez de desaparecer, tudo ficou congelado quando a crosta esfriou e a convecção do manto parou. O planeta acabou funcionando como uma cápsula do tempo.
“O que vemos é um manto cheio de restos caóticos dos primeiros dias de Marte”, afirmou o Dr. Charalambous. Ele explicou que a superfície se solidificou, formando uma tampa estagnada que selou os registros internos.
O professor Tom Pike comparou a distribuição das estruturas a um copo quebrado no chão. Segundo ele, colisões catastróficas criaram grandes fragmentos e inúmeros pedaços menores. Esse padrão fractal ainda pode ser detectado hoje.
“É notável que esses sinais sobrevivam até agora”, acrescentou.
Para o Dr. Mark Panning, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, os dados da InSight mudam a maneira como os cientistas entendem Marte. Ele destacou que os martemotos continuam a gerar descobertas importantes.
O estudo foi publicado na revista Science e reforça o papel do planeta vermelho como laboratório natural. Porque, enquanto a Terra apaga registros antigos com sua dinâmica interna, Marte os preserva quase intactos.
Portanto, ao investigar o manto marciano, os cientistas não apenas estudam um vizinho do Sistema Solar. Eles também encontram pistas valiosas sobre como os mundos rochosos surgem e evoluem.
