Estudante descobre erro estrutural no Citigroup Center em Nova York e evita o colapso de um dos edifícios mais altos e perigosos já construídos.
Quando se fala em arranha-céus em Nova York, não é difícil imaginar os monumentos de vidro e aço que dominam o céu da Grande Mente. Mas, há um deles que, mais do que qualquer outro, simbolizava o avanço tecnológico e arquitetônico dos anos 1970: o Citigroup Center. Com 59 andares e 280 metros de altura, esse arranha-céu foi projetado para ser uma das sedes corporativas mais modernas do planeta. No entanto, em 1978, uma estudante de engenharia civil identificou um erro estrutural que colocava em risco toda a construção.
A jovem, chamada Diane Hartley, estava desenvolvendo um trabalho de conclusão de curso sobre o projeto do Citigroup Center quando percebeu que os cálculos de resistência ao vento estavam incompletos. Em outras palavras, o prédio poderia tombar caso ventos acima de 110 km/h atingissem seus cantos, um cenário comum em tempestades que atingiam Nova York com frequência. Seu alerta desencadeou uma operação de emergência que foi mantida em segredo por quase duas décadas.
Um desafio de construção inusitado
O terreno escolhido para a construção do Citigroup Center ficava na Avenida Lexington, 618, no coração de Manhattan, onde já existia a histórica Igreja de São Pedro. A congregação se recusou a vender o terreno, o que obrigou os arquitetos a uma solução incomum: erguer o arranha-céu sobre a igreja, sem que sua estrutura tocasse o solo ocupado pelo templo. Foi uma decisão que levou o engenheiro William LeMessurier, responsável pelo cálculo estrutural, a adotar um sistema inédito. Em vez de pilares nos cantos, o prédio foi apoiado em quatro colunas centrais posicionadas no meio de cada face, deixando os vértices completamente suspensos.
Um gênio que salvou o prédio
Diane Hartley questionou um ponto crucial: o comportamento do prédio diante de ventos diagonais, que atingem as estruturas pelos cantos, e não apenas pelas faces. Esse tipo de força não havia sido devidamente calculado. Seu alerta foi o início de uma verdadeira aventura. O engenheiro William LeMessurier foi chamado a revisar os cálculos e, após refazer os cálculos, descobriu que os amortecedores de massa no teto não dariam conta dos ventos extremos que poderiam atingir o prédio. A equipe precisou então implementar um sistema de amortecedores ainda mais eficazes para equilibrar o arranha-céu e evitar que ele se desmoronasse ao vento.
A história de Diane Hartley e do Citigroup Center é um testemunho do poder da observação e da dedicação a um objetivo. Um erro estrutural que poderia ter causado o colapso de um dos edifícios mais altos e perigosos jamais construídos foi identificado e corrigido graças a um alerta cuidadoso de uma jovem estudante. E é assim que os arranha-céus de Nova York continuam a se erigir no céu da cidade, uma garantia de que, mesmo quando as coisas parecem impenetráveis, sempre há alguém pronto para fazer a diferença.
