Esse é o maior luxo dos brasileiros que moram no Paraguai — viver com energia quatro vezes mais barata que no Brasil e ainda deixar o ar-condicionado 24 horas ligado.
A influenciadora digital Lu Sales, que vive no Paraguai, revelou em uma publicação no Instagram algo impressionante: apesar de deixar o ar-condicionado ligado o dia inteiro, sua conta de luz mensal não supera os R$ 50. Isso pode parecer um sonho para muitos brasileiros, que enfrentam contas de luz infladas durante o verão. Mas, o que explica essa diferença? A resposta está nas energias renováveis que impulsionam a economia elétrica paraguaia.
Um país à frente
O Paraguai é um dos países mais privilegiados do mundo em geração elétrica renovável. As hidrelétricas de Itaipu, construídas em parceria com o Brasil, e Yacyretá, em parceria com a Argentina, permitem que o país produza muito mais energia do que consome. Desse excesso, 90% é exportado, deixando uma sobra para uso interno e mantendo as tarifas domésticas extremamente baixas. A estatal ANDE é responsável por distribuir energia em todo o território paraguaio, que custa cerca de US$ 0,05 (ou R$ 0,25 com câmbio atual) por quilowatt-hora.
Em comparação, o Brasil enfrenta um cenário muito diferente. Aqui, a matriz é mais complexa, dependendo de usinas térmicas, e os custos são maiores com transmissão, encargos setoriais e impostos. Isso faz com que o preço médio residencial brasileiro oscile entre R$ 0,60 e R$ 1,00 por quilowatt-hora, dependendo da bandeira tarifária e da distribuidora.
Tudo para entender a diferença
A influenciadora Lu Sales divulgou as suas contas de luz de julho e agosto, em que pagou 66.000 Gs (R$ 50,77) e 65.000 Gs (R$ 49,68) respectivamente. A diferença é gritante quando comparada com as contas dos brasileiros que ainda sofrem com as altas tarifas. Por que o Brasil não segue o exemplo do Paraguai? A resposta simples está nas escolhas que o país fez ao longo dos anos em relação às suas fontes de energia.
Em períodos de seca, o acionamento das bandeiras tarifárias pode elevar as contas em até 15%. Assim, o consumidor brasileiro chega a pagar três ou quatro vezes mais por cada quilowatt-hora do que um paraguaio. É tempo de repensar as prioridades para transformar a matriz elétrica brasileira, permitindo que os preços sejam mais competitivos e acessíveis à população.
