Em entrevista secretário do Tesouro fala sobre dívida pública que pode só estabilizar em 2035 e defende nova reforma da Previdência

Em entrevista secretário do Tesouro fala sobre dívida pública que pode só estabilizar em 2035 e defende nova reforma da Previdência

Em entrevista recente, o secretário do Tesouro brasileiro projetou um cenário econômico favorável para o país nos próximos anos, com uma desaceleração gradual da atividade acompanhada pela contenção da inflação. Apesar de reconhecer que a dívida pública ainda é um desafio, ele sinalizou que o governo está trabalhando para estabilizá-la até mais ou menos 2035, desde que as metas de resultado primário sejam cumpridas e os juros permaneçam baixos.

Projeção otimista e futuro da dívida

O secretário enfatiza que a economia brasileira está em um processo de “pouso suave”, impulsionado por uma atividade em serviços ainda bastante resistente e um mercado de trabalho em boa fase. O objetivo do governo é manter a taxa de desemprego em torno de 5% a 6%, um patamar considerado saudável e que se alinha com a expectativa de inflação se aproximando do centro da meta estipulada pelo Banco Central.

Nesse contexto, o secretário destaca que a política monetária já desempenhou seu papel crucial em conter a inflação, e que o ambiente externo, com a desaceleração dos EUA e a perda de fôlego dos preços das commodities, contribui para essa desinflação.

Política monetária e a Selic

Sobre as perspectivas de cortes de juros, o secretário evitou datas e afirmou que a decisão final caberá ao Banco Central, que terá o conhecimento necessário para determinar o momento oportuno para tal.

Nova reforma da Previdência: necessidade para o futuro

Sobre a reforma da Previdência, tema sempre sensível, o secretário reconheceu ser crucial abrir um debate sobre a necessidade de melhorias na legislação a partir de 2027, considerando o envelhecimento populacional e as pressões sobre o orçamento público. Ele defende que essa discussão precisa envolver ajustes em aspectos como o tempo de contribuição, a idade de aposentadoria e as regras especiais, buscando um sistema mais sustentável.

Para o secretário, o avanço da dívida/PIB é um desafio inerente à situação atual, agravado pela elevação dos juros, que impacta diretamente no custo do endividamento. Com quase metade da dívida atrelada à taxa básica de juros (Selic), o governo reconhece que a normalização dos juros será um processo gradual, com impactos temporários, embora fortes, no equilíbrio fiscal.

Por fim, o secretário enfatizou os esforços do governo para reverter a década de déficits, buscando alcançar um resultado primário equilibrado. Para estabilizar a dívida pública, ele acredita que será necessário um ajuste da ordem de 1% do PIB.

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