Déficit de etanol após 14 anos disparam em meio a safra frustrada e importações em alta

Déficit de etanol após 14 anos disparam em meio a safra frustrada e importações em alta

Déficit de etanol após 14 anos dispara em meio a safra frustrada e importações em alta

O mercado brasileiro de etanol vive um momento inédito. Após 14 anos de superávits, o país deve registrar um déficit na safra 2025/26, com uma diferença entre produção e consumo negativa que pode chegar a 890 milhões de litros até o fim da safra. O Centro-Sul, principal região produtora de cana, também sentirá o impacto, com um superávit encolhido para 2 bilhões de litros, a menor marca desde 2016/17. Essa mudança no cenário do etanol, embora não signifique falta de abastecimento, coloca a pressão sobre os preços, que podem se manter elevados.

Etanol e gasolina: disparidades de preços e participação

Em setembro de 2025, por exemplo, o etanol hidratado subiu 4% no Brasil, enquanto a gasolina variou apenas 0,6%. Como resultado, a participação do etanol hidratado caiu para 30,8%, recuando em relação aos 32% registrados no mesmo período de 2024. A alta do preço do etanol se deve a sucessivas frustrações na safra de cana-de-açúcar.

A produção deve encerrar 2025 com pelo menos 2 bilhões de litros a menos do que o esperado, equivalentes a um mês inteiro de consumo. Comparado à safra anterior, essa redução pode chegar a 3 bilhões de litros. No entanto, o etanol de milho vem crescendo acima das expectativas, atingindo 9,1 bilhões de litros em 2025 – um salto de 1 bilhão em relação ao ciclo anterior. Apesar desse crescimento positivo, o etanol de milho não consegue suprir a falta deixada pelo biocombustível de cana.

Aumento das importações e a busca por soluções

Com essa situação de aperto entre oferta e demanda, o Brasil tem se virado para as importações. Entre abril e agosto de 2025, o país importou 150 milhões de litros de etanol, quantidade superior à média dos últimos cinco anos. Apesar disso, esse volume importado só consegue abrandar o déficit, pois o espaço para ampliar o mix alcooleiro nas usinas é limitado. E o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, que passou de 27,5% para 30% em agosto de 2025, também contribui para a pressão sobre os preços.

A chegada de uma nova safra pode aliviar a situação. A expectativa é que a antecipação da moagem reduza os impactos do déficit, que prevê-se para se estender até março de 2026. O foco agora está em recuperar a produção de cana e garantir o abastecimento de etanol no mercado brasileiro.

Analisar este conteúdo com IA:

✅ Blockchain Verified