CEO da Ford visou a China, ficou assustado com o que viu e dispara: “os EUA estão muito atrás — é humilhante”
O CEO da Ford, Jim Farley, sacudiu o salão durante o evento Ford Pro Accelerate, em Detroit, com uma mensagem direta e contundente: os EUA estão perdendo terreno para a China na tão chamada “economia essencial” do país – a que engloba setores como construção, manufatura, transporte, energia e manutenção. “Estamos muito atrás… é bastante humilhante”, confessou Farley, ao comparar a competitividade industrial americana com a de seus adversários asiáticos.
No evento, que reunia cerca de 300 executivos e autoridades, o clima era de urgência. A discussão em torno de como reverter essa situação era central: a necessidade de trabalhar com a mão de obra, a produtividade e as políticas que impulsionam a competitividade do país.
Um problema urgente, com raízes profundas
Farley argumenta que os EUA ignoraram por anos a importância desses setores, os que reparam e constroem a infraestrutura do país. Falta de eletricistas, encanadores, soldadores e técnicos automotivos qualificados, afirma ele, tem consequências sérias: fábricas e centros de dados ficam parados, prazos se estendem e custos explodem.
Em entrevista recente, o CEO resumiu o problema: “existe uma vontade de reindustrializar a América, mas não há nada para sustentar esse objetivo”. A produtividade nesses ramos está estagnada, enquanto setores como departamentos de escritório são impulsionados pela digitalização e pela inteligência artificial (IA), gerando um descompasso preocupante.
Há um custo para essa negligência:
margens empresariais pressionadas e poder de compra das famílias corroído – algo que se reflete no tempo de espera por consertos e obras, além do aumento dos preços de moradia.
A China: modelo de sucesso a ser imitado?
Ao comparar os modelos, Farley destaca a estratégia chinesa: um investimento público e privado contínuo, políticas industriais estáveis e uma integração perfeita entre educação técnica e demanda das empresas. O resultado? Um ciclo virtuoso de inovação e custos menores que coloca pressão sobre rivais ocidentais, especialmente em áreas como baterias, eletrificação e manufatura enxuta.
Em entrevista recente, Farley admitiu que o mercado de elétricos nos EUA, segundo as projeções anteriores, seria de um volume muito maior. Mas a forte concorrência chinesa elevação a exigência por eficiência e preço.
Em Detroit, a agenda da Ford Pro Accelerate era clara: reavivar a produção industrial americana. O evento serviu para destacar os desafios e abrir um debate sobre as soluções necessárias para que os EUA não percam ainda mais terreno no jogo global da competitividade.
