O mundo caminha para uma reorganização econômica que parecia improvável há poucos anos. O grupo dos BRICS, criado em 2009 com Brasil, Rússia, Índia e China — mais tarde somado à África do Sul —, passou de uma sigla vista com ceticismo para um bloco que já reúne nove países após a recente onda de adesões.
A entrada de Emirados Árabes Unidos, Irã, Etiópia e Indonésia ampliou não apenas a representatividade populacional, mas também o poder energético do BRICS+. Somados, esses países concentram mais de 45% da população mundial e enormes reservas de petróleo e gás. O bloco, antes considerado uma coalizão emergente, agora se apresenta como um contraponto direto ao G7 e uma ameaça concreta à hegemonia do dólar no comércio internacional.
Cada novo membro acrescenta um componente estratégico ao BRICS+.
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Esse triplo movimento garante ao BRICS+ uma presença ainda mais capilarizada nos continentes, aumentando sua legitimidade como contraponto às instituições dominadas pelo Ocidente.
Os novos integrantes chegam em um momento em que energia é sinônimo de poder. O BRICS+ agora concentra cerca de 44% das reservas globais de petróleo e um percentual expressivo da produção mundial de gás natural.
Combinados, os países do bloco se tornam não apenas consumidores gigantescos, mas também fornecedores críticos de recursos que movem a economia mundial.
Esse arsenal energético permite que o BRICS+ jogue com mais força no comércio internacional, explorando contratos em moedas locais e reduzindo a dependência de dólares em transações bilionárias.
Nos bastidores, circulam rumores sobre uma possível aproximação do Canadá com o BRICS+. Embora ainda seja apenas especulação, a ideia de que um membro do G7 poderia, em algum grau, associar-se ao bloco muda drasticamente o cenário geopolítico.
Especialistas afirmam que, caso essa hipótese se confirmasse, seria um golpe simbólico contra a unidade ocidental. O Canadá, por sua relevância energética e proximidade com os EUA, representaria um ponto de ruptura na aliança histórica do Atlântico Norte.
Ainda que improvável no curto prazo, esses rumores revelam como o crescimento do BRICS+ já provoca ansiedade entre líderes ocidentais e levanta questões sobre a solidez da ordem econômica baseada no dólar.
Um dos pontos centrais da nova fase do BRICS+ é a busca por alternativas ao dólar. A desdolarização não é apenas discurso político:
Essa movimentação não elimina o dólar de imediato, mas cria fissuras em sua hegemonia. Como destacou um diretor do Banco Central do Brasil em 2025, ainda não existe um “ativo BRICS” capaz de rivalizar com a liquidez do dólar, mas o processo de erosão já está em curso.
Muito se fala sobre uma possível moeda única do BRICS, lastreada em ouro ou em uma cesta de moedas. No entanto, especialistas ressaltam que a criação de uma nova divisa é um processo complexo, que exigiria integração financeira profunda e estabilidade política entre países com interesses divergentes.
O que parece mais realista é o fortalecimento de sistemas como o BRICS Pay, uma plataforma que busca integrar pagamentos internacionais sem depender do SWIFT, controlado pelo Ocidente. Essa estratégia, embora menos chamativa, é prática e já começa a ganhar adesão entre bancos centrais do bloco.
A expansão do BRICS+ não passa despercebida em Washington e Bruxelas. Autoridades americanas já sinalizaram tarifas adicionais e barreiras comerciais para países que desafiarem abertamente o dólar como moeda de reserva.
Em declarações recentes, o ex-presidente Donald Trump chegou a ameaçar tarifas de até 100% sobre exportações de membros do BRICS que tentassem abandonar o dólar em contratos internacionais. Essas falas refletem o incômodo dos EUA diante da formação de um bloco que, em teoria, poderia reconfigurar cadeias de valor e mercados de capitais.
Economistas e analistas internacionais avaliam que o processo de desdolarização não acontecerá da noite para o dia. O dólar ainda responde por quase 60% das reservas cambiais globais e domina o sistema financeiro.
Mas a força do BRICS+ reside em sua capacidade de corroer gradualmente essa hegemonia, abrindo espaço para transações em moedas locais e reduzindo a dependência estrutural do Ocidente. “O que antes era visto como discurso retórico agora está sendo implementado em contratos reais de energia e comércio”, apontam especialistas em finanças internacionais.
O crescimento do BRICS+ aponta para um mundo mais multipolar, em que diferentes polos de poder dividem influência sobre comércio, energia e tecnologia. O bloco ainda enfrenta desafios internos, como disputas geopolíticas entre Índia e China, além de assimetrias econômicas.
Porém, sua expansão recente demonstra que existe demanda global por alternativas ao modelo ocidental. A simples especulação sobre a entrada de países como o Canadá já revela que o tabuleiro geopolítico não é mais estático.
O BRICS+ deixou de ser um fórum simbólico para se tornar um instrumento real de mudança econômica. Com nove países, recursos energéticos estratégicos e quase metade da população mundial, o bloco representa uma força que o G7 não pode mais ignorar.
A ofensiva contra o dólar, ainda que gradual, já está em andamento. E os rumores sobre a adesão de novos países — inclusive do Canadá — reforçam que a disputa pela hegemonia não é apenas retórica: é uma batalha em curso, que definirá as próximas décadas da economia global.
