Aumento de até 25% no preço do MDF preocupa indústria moveleira em estado brasileiro, que teme queda nas vendas e demissões.
A indústria moveleira de Minas Gerais está em alerta máximo. O preço do MDF, matéria-prima essencial para a produção de móveis, subiu até 25% e já está afetando a margem de lucro das empresas do setor. A preocupação é que, se não for possível absorver esse aumento, as vendas podem cair e as demissões aumentarem no segundo semestre de 2025.
O reajuste do preço do MDF surpreendeu o setor, pois ocorreu justamente no momento em que as fábricas estão negociando acordos coletivos com previsão de reajuste salarial de até 7,5%. Isso significa que as empresas terão que lidar com um aumento duplo nos custos. Para o presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário e de Artefatos de Madeira no Estado de Minas Gerais (Sindimov-MG), Maurício Lima, não há justificativa clara para o aumento do preço do MDF.
O efeito dominó
A base de produção moveleira em Minas Gerais é formada principalmente por micro e pequenas empresas que dependem das chapas de MDF para fabricar móveis planejados e atender ao varejo. O aumento repentino do insumo cria um efeito dominó: encarece o produto final, diminui a competitividade e pode reduzir as vendas em um período tradicionalmente aquecido, como o segundo semestre. “O custo vai alterar, e quem paga essa conta, no final, é sempre o cliente. Isso pode impactar fortemente as vendas, e há risco de que o problema avance para 2026”, alerta Lima.
A conexão com a crise no setor madeireiro
Embora o impacto em Minas seja indireto, no cenário nacional a crise no setor moveleiro se conecta diretamente ao chamado “tarifaço” de Donald Trump. A sobretaxa prometida de 50% para produtos de madeira exportados aos Estados Unidos fez empresas do Sul, onde se concentra cerca de 90% da capacidade instalada de produção de madeira processada, suspenderem embarques e reduzirem o ritmo das fábricas.
O risco de impacto mais amplo
A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) estima que a crise no setor moveleiro possa afetar outras áreas, como o setor da construção civil, que depende da madeira para construir casas e prédios. Além disso, o aumento do preço do MDF pode levar a uma perda de competitividade internacional, o que poderia afetar ainda mais a economia brasileira.
É um cenário sombrio que se desenha para a indústria moveleira de Minas Gerais e, possivelmente, para a economia brasileira como um todo.
