Argentina decide nas urnas se sustenta o choque liberal de Milei. Mercado prende a respiração.
A Argentina está em modo de espera. Após um primeiro semestre de otimismo nos ativos locais, o mercado agora se volta para a política. Os investidores, inclusive brasileiros, querem saber se o choque liberal do presidente Javier Milei, eleito em 2023, terá sustentação popular e legislativa. A resposta virá nas urnas, em dois testes de fogo importantes: as eleições provinciais de 7 de setembro, em Buenos Aires, e as eleições legislativas nacionais de 26 de outubro.
O clima político se torna cada vez mais tenso
Nas últimas semanas, a cena política ganhou contornos mais tensos. Milei enfrentou protestos violentos durante um ato de campanha, com pedras atiradas contra sua comitiva e a necessidade de sair do local às pressas. Além disso, gravações de áudio sugeriram um esquema de corrupção em um órgão público, envolvendo a irmã do presidente, Karina Milei, e aliados próximos. Embora as pesquisas indiquem que o escândalo tenha afetado a imagem do governo, não houve mudanças substanciais nas intenções de voto.
Os investidores estão aguardando ansiosamente os resultados eleitorais. A liquidez é escassa e o posicionamento é cauteloso, com poucos grandes fluxos esperados até que o cenário esteja mais claro. “O mercado permanece sob pressão à medida que os investidores aguardam os resultados eleitorais”, avaliam os analistas.
As eleições como termômetro
No dia 7 de setembro, os eleitores da província de Buenos Aires irão às urnas em eleições legislativas locais. É a maior base eleitoral do país e um tradicional reduto do peronismo. Embora esse pleito não defina a composição nacional, funcionará como um termômetro. Um desempenho ruim ali pode sinalizar um desgaste precoce do governo e comprometer a estratégia para o pleito seguinte.
O futuro do programa econômico em jogo
A eleição decisiva vem em 26 de outubro, quando metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado serão renovados. Será o primeiro grande teste de Milei desde a posse. Se o presidente conseguiu ampliar sua representação no Congresso, fortalecerá sua capacidade de avançar com cortes de gastos, reformas regulatórias e medidas pró-mercado. Caso contrário, ficará mais dependente de alianças frágeis e exposto ao bloqueio da oposição, em especial do peronismo.
Para os investidores estrangeiros, a continuidade ou não da agenda de ajuste fiscal e ortodoxia monetária depende de como Milei sairá das urnas. Se o choque liberal do presidente tiver sustentação popular e legislativa, o mercado argentino pode respirar aliviado. Caso contrário, a incerteza política pode continuar a pairar sobre o país.
