A China perde R$ 225 bilhões anualmente com a sua imensa rede de trens-bala: o motivo faz parte de uma estratégia que o Brasil deveria adotar. Conhecida como a “Rota da Seda moderna”, a rede de trens-bala chinesa é a maior e mais moderna do mundo, com linhas que percorrem mais de 30.000 quilômetros e capacidade para transportar milhões de passageiros por dia. Ao contrário do que se poderia esperar, entretanto, a China não vê esse déficit como um problema, mas sim como uma parte essencial de sua estratégia de desenvolvimento.
Conectando polos dinâmicos com o interior
A China assumiu o compromisso de conectar os polos dinâmicos do leste com as cidades do interior, garantindo mobilidade de alta velocidade onde o mercado privado não investiria sozinho. Com isso, a rede de trens-bala encurta trajetos, reorganiza fluxos econômicos e cria novas centralidades regionais. Além disso, a estratégia visa ganhos sistêmicos, como a redução de custos de deslocamento, ampliação da acessibilidade e incentivo às cadeias locais de valor.
A ideia por trás disso é simples: ao levar serviço de alta velocidade às cidades que, isoladamente, não seriam viáveis, o Estado compra tempo econômico para que a demanda amadureça. O efeito esperado é multiplicador, com o retorno indireto se materializando em empregos, turismo e produtividade. O Brasil pode extrair lições dessa estratégia ao priorizar corredores que encurtam distâncias críticas sem esperar retorno pleno no curto prazo.
Um modelo de sucesso, mas com desafios
Mesmo que a rede de trens-bala seja um modelo de sucesso, ela não é sem desafios. O capex elevado em linhas longas, túneis e pontes, por exemplo, é um dos principais problemas. Além disso, o opex relevante com energia, manutenção e material rodante também é um desafio significativo. E, como se isso não fosse o suficiente, a política tarifária que amplia acesso e limita repasses integrais também é um peso extra.
No entanto, a China não se deixa intimidar. Em vez de otimizar cada trecho, o sistema conecta regiões remotas à malha produtiva nacional. Isso significa que, ao contrário do que se poderia esperar, a perda anual de R$ 225 bilhões não é visto como um obstáculo, mas sim como uma pequena parcela do investimento necessário para transformar o país.
O que o Brasil pode aprender
A experiência da China pode ser uma lição valiosa para o Brasil. Com uma estratégia semelhante, calibrada à realidade brasileira, é possível acelerar resultados positivos em áreas como mobilidade urbana sustentável, economia e desenvolvimento regional. Além disso, a China mostrou que, com vontade política e planejamento estratégico, é possível transformar prejuízo operacional em estratégia de desenvolvimento.
