Um Mistério de 2.500 Anos Finalmente Revelado
Há 70 anos, arqueólogos encontraram em um santuário subterrâneo de Paestum, no sul da Itália, oito jarros de bronze com um resíduo grosso, amarelado e de cheiro adocicado. Mas, apesar de décadas de estudos, os cientistas não conseguiam descobrir o que era exatamente essa substância enigmática. Agora, uma equipe de pesquisadores liderada por uma cientista da Universidade de Oxford encontrou a resposta: trata-se de mel de 2.500 anos, muito provavelmente depositado em forma de favo como oferenda ritual.
A Busca pela Verdade
A equipe de pesquisadores usou uma combinação inovadora de técnicas, incluindo espectrometria de massa e análise proteômica, para analisar as camadas internas do resíduo. Essas abordagens permitiram que eles enxergassem moléculas e proteínas que haviam sobrevivido por milênios. E o que eles encontraram foi impressionante: hexoses intactas, como frutose, que são açúcares característicos do mel.
Além disso, os cientistas identificaram proteínas típicas da geleia real, um material nutritivo produzido por abelhas, e peptídeos associados à Apis mellifera, a espécie de abelha que produz o mel. Essa assinatura química é praticamente idêntica à do mel e cera de abelha atuais, o que reduz drasticamente a margem de dúvida.
Um Ritual Antigo Revelado
A descoberta não é apenas curiosa, mas ajuda a reconstruir um hábito religioso antigo. Os jarros de bronze foram encontrados em um santuário subterrâneo, que provavelmente funcionava como um heroon grego, um espaço de culto a um herói fundador. O mel, nesse contexto, desempenhava um papel simbólico e prático, servindo como oferenda ritual.
A análise comparativa com amostras modernas e simulações de degradação de favo também reforçou o diagnóstico. Os cientistas concluíram que o que faltava às técnicas das décadas de 1950 e 1980 era sensibilidade para diferenciar compostos.
Essa descoberta é um exemplo de como coleções antigas podem ainda guardar respostas quando revisitadas com instrumentos modernos. E, ao mesmo tempo, lança luz sobre práticas religiosas da Magna Grécia, um período histórico rico em mistérios e descobertas.