IPC 830

UMA LUTA QUE PODEMOS E VAMOS VENCER

Group of happy friends drinking and toasting beer at brewery bar restaurant - Friendship concept with young people having fun together at cool vintage pub - Focus on middle pint glass - High iso image

Os panificadores precisam estar muito bem preparados para atender aos desejos dos clientes em tempos do “novo normal”.

Enrijecimento das regras de controle sanitário, cuidados extras com a higiene dos estabelecimentos, dos colaboradores, equipamentos e acessórios, atenção redobrada com a manipulação dos alimentos, execução rigorosa dos procedimentos e perfeita adequação às Boas Práticas de Fabricação, exposição correta nos balcões, ilhas e vitrines, novas atitudes no comportamento de atendimento aos clientes, atenção ao distanciamento entre eles nas filas, ampliação exponencial da oferta de serviços de grab-and-go e delivery, criação de drive-thrus, colocação de pias para lavagem das mãos na entrada das casas e ampla disponibilização de álcool para todo mundo que entra nelas… Em tempos inusitados como estes que estamos vivendo, as providências que se fazem necessárias tendem a ser impactantes, dando espaço para situações criativas e inovadoras e, muitas vezes, surpreendentes.

Tudo isso já se tornou rotina nas padarias da capital e da Grande São Paulo, a fim de reduzir a disseminação do novo coronavírus entre a população. E todas elas, medidas de segurança eficazes de proteção aos consumidores e à sobrevivência dos negócios, que estão servindo de lição e deverão se tornar cada vez mais comuns no tão esperado momento de pós-crise da COVID-19, que atestam que “nada mais será como antes, amanhã”.

Mas, na verdade, este também é um importante momento de reinvenção no modelo das panificadoras, em linha com o movimento de evolução natural desse tipo específico do comércio, no qual, apenas há duas ou três décadas, os consumidores iam somente comprar pão, leite, frios e, às vezes balas e algum bolo ou “doce de padaria”. Com muito trabalho e dedicação, elas foram além, e se transformaram em centrais de bem-estar, um local onde as pessoas tomam seu café da manhã sozinhas – e, nos finais de semana com a família –, almoçam, jantam, usufruem de completas lojas de conveniência nas quais encontram tudo que precisam, compram vinhos para abastecer suas adegas, trabalham em seus notebooks utilizando o wi-fi grátis das casas, fazem reuniões com clientes e o pessoal do escritório, e, ainda, têm a oportunidade de compartilhar bons momentos com os amigos em animadas happy-hours.

Tudo isso, hoje ainda no plano de um sonho a se materializar, vai voltar em um futuro bem próximo. E com muito mais intensidade, não só porque a demanda do consumidor pós-COVID tenderá a ser maior, na busca do “tempo perdido”, mas também porque – e isso é o mais importante – nossos clientes simplesmente AMAM padarias. E, sem dúvida alguma, precisamos estar muito bem preparados para atender a esses e muitos outros desejos deles nesses novos tempos.

 

O “NOVO NORMAL”

Desde que teve início a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus no Brasil, as vendas no varejo foram tremendamente impactadas. Só no primeiro trimestre elas recuaram 2% em relação ao quarto trimestre do ano passado, como apontou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, com as vendas em baixa, a queda na lucratividade dos negócios também está se configurando como cada vez mais certa. Assim, para garantir a sobrevivência da padaria, proteger o caixa da empresa se torna prioridade máxima. Reestruturar dívidas, buscar maior eficiência operacional, reduzir estoques e adiar investimentos não essenciais são algumas das ações tomadas pelos panificadores atualmente.

“Não há dúvidas de que a adequação de lojas para as novas regras de proteção e prevenção da COVID-19 tem sido um investimento essencial, além da segurança da própria loja. Ainda que os canais online tenham ganhado força, há lojas físicas, como as padarias, que permanecem abertas, e viram suas perdas crescerem de maneira expressiva, muitas delas em função de erros operacionais provocados pela pressão extra sobre a equipe de funcionários. Além disso, o varejo talvez nunca tenha precisado tanto de liquidez. Apesar do que se noticia, mesmo com a Selic no valor mais baixo da história, o acesso ao crédito sofreu uma enorme restrição, fazendo com que o varejista se questione se existe alguma forma de investir e proteger o caixa ao mesmo tempo”, pondera Gustavo Carrer, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Gunnebo, fornecedora de equipamentos de proteção eletrônica para o varejo e referência em soluções de tecnologia para performance de loja. E, após a recessão, tenha certeza de que o quadro de funcionários deverá se manter reduzido, em um cenário em que as empresas terão preferência pela contratação de colaboradores mais polivalentes e com novas competências e, ainda, de forma geral, com capacidade de gerir responsabilidades e equipes à distância.

Já do lado do consumidor, as mudanças em seu perfil deverão ser profundas. Muita gente perdeu o emprego, as dívidas se acumularam e o dinheiro andará curto, principalmente nos primeiros meses da retomada do pós-crise. E tudo isso, é claro, vai fazer com que ele valorize ainda mais os recursos financeiros que tem disponíveis, poupe mais e questione bastante os preços dos serviços e produtos, inclusive aqueles oferecidos pela sua padaria.

“O fato é que, hoje, o brasileiro vive um momento de intensa reflexão e mudança de comportamento, inclusive, sobre consumo, finanças e trabalho. Estamos diante do ‘novo normal’, no qual, além de fatores como a intensificação da integração digital entre empresas e consumidores – serviços de e-commerce e delivery, por exemplo, que ganharam ainda mais o status de ‘estratégicos’), os brasileiros foram forçados a enxergar a necessidade de se ter um planejamento financeiro. Dessa forma, analisar as despesas mensais e estabelecer novos costumes de consumo nunca foi tão prioritário para eles, e nem deixará de ser no futuro”, analisa e dá a pista o professor Carlos Afonso, sócio do Grupo MCR – consultoria que atua nos segmentos de contabilidade, auditoria e treinamentos corporativos – e, ainda, autor do livro “Organize suas finanças e saia do vermelho”. “Então, estar bem preparado para esses ciclos e, consequentemente, para os desafios que eles vão trazer para os clientes, certamente ajudará as empresas a atravessarem as tempestades da melhor forma possível. Em síntese, é preciso se adaptar ao novo normal”, complementa, fazendo um alerta final e especial aos panificadores.

 

 

BOX:

UMA IDEIA PARCEIRA E SOLIDÁRIA

Como já foi dito inúmeras vezes, os desdobramentos socioeconômicos gerados pelo período de quarentena, essencial ao combate da pandemia da COVID-19 no Brasil, estão operando impactos diretos no faturamento de padarias, confeitarias e restaurantes de todo o País. E, em um momento em que a solidariedade é fundamental para minimizá-los, algumas empresas têm se mobilizado no sentido de oferecer ao setor de alimentação algumas soluções para eficientizar a operação de seus parceiros no comércio de produtos e serviços.

Uma dessas iniciativas partiu da Bunge, que, por meio da união de suas marcas Delícia, Primor, Soya, Salada e Salsaretti, criou o projeto “Alimente o Bem”. A plataforma está disponibilizando vouchers de consumo em estabelecimentos, clientes ou não da empresa, para serem utilizados após o período de quarentena, com o diferencial de que padarias e confeitarias contempladas poderão vender e gerar receita, mesmo estando fechadas ou sem a possibilidade de atuarem no delivery.

E a ação tem, ainda, um apelo solidário: a cada voucher vendido, uma refeição completa será doada pelas marcas a instituições de São Paulo, Recife e Blumenau, que atuam dando apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade social. “Para fazer parte dela, a mecânica é bem simples: basta as padarias e confeitarias interessadas se cadastrarem gratuitamente no site www.alimenteobem.com.br e listar seus pratos e valores, para que os vouchers sejam gerados”, explica João Galoppi, gerente de Comunicação, Marca e Inteligência de Mercado da Bunge.