destaque, IPC 829

TENDÊNCIAS – ALTERNATIVAS AO PLÁSTICO EM NOME DA SUSTENTABILIDADE

Nova lei sancionada na capital paulista impulsiona a busca por alternativas ao plástico na fabricação de utensílios de uso único na padaria.

Agora é lei. Conforme a Revista IPC informou em sua última edição, no início deste ano, o prefeito Bruno Covas sancionou a lei que proíbe o fornecimento de produtos descartáveis de uso único feitos de plástico nos estabelecimentos comerciais na cidade de São Paulo. Com isso, fica proibido nas padarias da cidade – bem como em bares, restaurantes e hotéis – o fornecimento aos clientes de copos, pratos, talheres e agitadores para bebidas, entre outros utensílios fabricados a partir desse material. Em substituição aos produtos de plástico descartáveis poderão ser fornecidos outros com as mesmas funções elaborados com materiais biodegradáveis, compostáveis e/ou reutilizáveis.

O objetivo da medida é incentivar o uso sustentável e a reciclagem de materiais, impulsionando ainda a transição para uma economia circular, cujo modelo de negócio e desenvolvimento econômico é alternativo ao linear: extrair, produzir e descartar. A partir de 1º de janeiro de 2021, os estabelecimentos que forem flagrados fornecendo produtos de plástico de uso único receberão uma advertência e, a partir da segunda autuação, multas que variam de R$ 1 mil a R$ 8 mil. E, após sexta autuação, existe ainda a possibilidade de fechamento do comércio. Ou seja, não dá para “brincar” com o novo dispositivo.

E isso não deixa de ser uma boa notícia, aplaudida pela maciça maioria da população, porque, segundo o vereador Xexeu Tripoli (PV-SP), autor do projeto que acabou virando lei, 16% dos resíduos gerados no município de São Paulo são compostos de plástico em suas diferentes formas. E isso, definitivamente, não é pouco: segundo dados da Prefeitura Municipal, no total, a capital paulista produz cerca de 20 mil toneladas todos os dias, sendo 12 mil de coleta domiciliar e 8 mil de varrição. Isso, sem falar que o descarte incorreto agrava o problema, sendo que boa parte desses mais de 1 milhão de toneladas vai parar nos rios e no mar, provocando enormes problemas de poluição para as cidades de todo o estado, além de danos irreparáveis para o meio ambiente.

CANUDOS E TALHERES ECOLÓGICOS

Mas aí o panificador pergunta: o que eu vou fornecer para os clientes da minha padaria em substituição ao plástico que a gente usa no dia a dia? Bem, a outra boa notícia é que, felizmente, cientistas, engenheiros e designers de empresas estão mudando o foco para alternativas sustentáveis que criam ecossistemas circulares com menos desperdício, tais como madeira líquida, uso de algas e substitutos para polímeros feitos de amido de plantas fermentadas, a exemplo do milho, da batata e da mandioca. Posto em prática pela indústria, esse processo de busca por opções ecologicamente corretas vem se difundindo cada vez mais em seus portfólios de produtos, a preços cada vez mais acessíveis para os operadores do comércio de alimentação.

Assim, exemplos não faltam. Canudos descartáveis de plástico biodegradável e 100% reciclável, produzidos a partir de resinas de amido de mandioca, milho ou batata, e embalados em caixas com 3.000 unidades, já estão sendo oferecidos aos panificadores pelo preço médio de R$ 75. Alternativas a eles são os canudos de papel, encontrados no mercado por algo em torno de R$ 90 o milheiro.

O mesmo acontece com os talheres ecológicos, produzidos à base de plantas (como o abacate) e madeira líquida – ou lignina, o polímero natural mais comum depois da celulose – também já estão disponíveis no mercado, embora seus preços possam variar bastante, o que vai demandar um trabalho de pesquisa de fornecedores mais detalhado por parte do panificador. E o benefício ecológico de ambos é surpreendente: levam entre 90 e 240 dias para se decomporem, e não deixam resíduos tóxicos no meio ambiente, enquanto que seus similares de plástico demoram até 500 anos para “sumir” no planeta, apesar de terem vida útil de apenas alguns minutos.

E, a título de curiosidade, vale destacar que tanto os canudos quanto os talheres também podem ser encontrados em versões comestíveis! Feitos de açúcar, gelatina e amido de milho, o canudo biodegradável tem só 24 calorias e pode vir nos sabores limão, lima, canela, maçã verde, morango, gengibre ou chocolate. Já os talheres são preparados com uma mistura de farelo de sorgo, arroz e trigo, para, depois, serem cozidos em moldes.

PRATOS DE TRIGO, LITERALMENTE

E você poderia imaginar que os utensílios oferecidos aos clientes de sua padaria também pudessem ser feitos de trigo? Pois podem! Inventado por um empresário polonês, um processo de fabricação transforma farelo de trigo natural em simpáticos pratos, tigelas e até mesmo talheres ecológicos, usando pouca água, sem a extração de recursos minerais ou adição de compostos químicos. Uma tonelada de farelo de trigo puro vira 10.000 unidades deles, que podem ser até mesmo ingeridos!

No rol dos utensílios criados para substituir o uso do plástico nas padarias também se enquadram os copos de mandioca. Fruto da iniciativa de uma empresa brasileira, que entende que o futuro não é descartável, apesar de não serem reutilizáveis, eles vêm sendo popularizados em alguns cafés paulistanos, utilizando a tuberosa (também conhecida como “aipim” ou “macaxeira”) como matéria-prima. Por ser um material biodegradável, após o uso único, os copinhos podem ser levados e descartados em composteiras, dando início a um novo ciclo de vida. A natureza agradece!