destaque, IPC 830

REDEFININDO A PRODUTIVIDADE

É possível tirar lições do momento da crise da COVID-19 para mudar a mentalidade de negócios no que diz respeito à produtividade.

Não é preciso ser nenhum guru para saber que a baixa produtividade da atividade econômica no Brasil – que, por tabela, afeta a nossa competitividade – é um problema antigo. E as consequências disso em tempos de COVID-19, vêm se tornando mais evidentes e colocam a nu toda sorte de vícios ocultos que travam o nosso desenvolvimento.

Com efeito, a crise do novo coronavírus atingiu de jeito a economia brasileira e, em especial, a classe empresarial. E fez isso derrubando metas detalhadamente planejadas, pondo abaixo as perspectivas dos índices de crescimento econômico, de investimentos nas mais diversas áreas, impondo-nos um restritivo ritmo de quarentena, validado, sim, por sábios parâmetros científicos, mas que já está deixando muitas cicatrizes indeléveis em nossa sociedade, não apenas em face a inestimável perda de vidas de entes queridos de milhares de famílias, como também pela “morte” de várias empresas e negócios, deixando atrás de si um rastro de destruição de sonhos, ideais e de enormes esforços para conquistá-los, além de de desemprego, pobreza e incerteza com o que ainda vai acontecer.

Entretanto, se para muita gente esse cenário de “terra arrasada” é motivo de paralisia, para outros pode ser também de oportunidade para se fazer uma releitura de nossas atitudes frente ao tema “produtividade”. Sim, agora é a hora de repensarmos algumas atitudes, não só para nos reorganizarmos mesmo ainda em tempos de pandemia, para enfrentar os novos desafios do pós-crise, que certamente virão.

 

EM BUSCA DO FUTURO MAIS QUE PERFEITO

Em termos de economia, produtividade traduz a capacidade de realizar o máximo de trabalho possível com o mínimo de recursos necessários. Em outras palavras, esse conceito remete à busca constante por otimização que acompanha toda e qualquer atividade empresarial. E, como tal, precisa, de forma obrigatória, fazer parte do mindset (ou, mais simplesmente, “programação mental”) de quem quer ter sucesso no mundo dos negócios.

Contudo, diante das dificuldades tangíveis e bastante conhecidas pelos panificadores – como, ´pr exemplo, impossibilidade de acesso a linhas de crédito, falta de mão de obra qualificada, excesso de burocracia e incidência de uma carga tributária arrasadora, entre tantas outras –, fato é que o setor produtivo, notadamente no segmento de micro e pequenas empresas no Brasil, faixa na qual a maciça maioria das nossas padarias se encaixa, apresenta uma das menores taxas de produtividade do planeta.

Nessa hora, fazendo um desconfortável, mas necessário, “mea culpa”, talvez o principal problema nessa história seja mesmo a boa e velha falta de conhecimento dos empreendedores para gerenciar seus próprios negócios. E momentos de agudização de crises econômicas, como este que estamos vivendo em função da COVID-19, colocam a nu, de maneira muito clara, a existência do problema. E como fazem isso sem rodeios, também indicam com mais clareza ainda erros cometidos pela classe empresarial, servindo, por isso mesmo, como estímulo para redefinição de modelos, ferramentas e estratégias para combater e eliminar velhos vícios que nos atrelam sempre a uma espécie de “pretérito sempre imperfeito”, e, sim, permitindo-nos a chance de ingressar num “futuro mais que perfeito”, turbinado pelo aumento da produtividade.

 

MERGULHE DE CABEÇA NA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

E aí você diz: “OK! Mas por onde devo começar?” Bem, essa é uma pergunta para a qual existem inúmeras opções de respostas, cuja explanação não caberia numa única reportagem como esta da Revista IPC, e que poderiam seguramente ser dadas de forma mais apropriada por meio da contratação de uma consultoria de negócios. Mas há alguns pontos e dicas que podemos enfatizar no curto espaço que nos resta nestas páginas para você redefinir o SEU modelo de produtividade.

O primeiro – e, talvez, o mais importante deles –, é entender que, se a realidade de consumo está mudando, você também precisa mudar. É hora, mais do que nunca, de desconstruir e reconstruir seu modelo de gestão, jogando fora o que não presta e abrindo sua cabeça para as novas oportunidades que virão no pós-pandemia. Não espere: faça isso já, para eliminar concepções antiquadas, que não servem mais para nada, para turbinar as mudanças de seu negócio que se farão necessárias nos tempos que virão. Pode não ser o seu caso, mas, por exemplo, em outros tempos de “normalidade”, quantos panificadores torceram o nariz e até deixaram de lado o uso de ferramentas como a internet, as vendas online, as redes sociais e as estratégias como a do delivery – próprio ou por meio de aplicativos – que vêm se mostrando eficazes e até como “salvadoras da lavoura” nestes tempos de crise?

Em meio a um cenário altamente marcado pela transformação digital, cada vez mais negócios têm buscado novas estratégias para dinamizar o desenvolvimento de produtos e serviços, não só a fim de garantir a produtividade, como também a escalada de sua competitividade no mercado. Para isso, a busca de soluções tecnológicas – como softwares e aplicativos – também vem crescendo em níveis exponenciais, tornando-se foco prioritário e obrigatório de gestão para essas empresas.

Como consequência disso, o uso desses sistemas está deixando de ser um fator diferencial para ser uma necessidade para ganhar da concorrência. Reforçando essa constatação vale lembrar que, muitas vezes, os pequenos e médios negócios, como os de padaria, convivem com margens muito apertadas, o que transforma os ganhos ou processos que eles conseguem otimizar em verdadeiros motores de geração de crescimento para eles. Tanto isso é verdade, que diversas casas no ramo de panificação já estão nascendo dentro de uma geração digital, pensando de uma forma diferente, enxergando a inclusão digital como fator essencial.

Como resultado disso, os setores de comércio e serviço, operando em diversos ramos e nichos, vêm investindo nessas ferramentas. E, certamente, investirão nelas ainda com mais força no período pós-pandemia, porque elas conseguem gerar um volume de dados muito grande. Uma simples nota fiscal, por exemplo, pode oferecer a uma padaria várias informações sobre o consumidor, como qual produto ele comprou e quanto ele gastou. Ou seja, a partir disso, o panificador familiarizado e atualizado com as novas tecnologias digitais consegue cruzar dados em benefício próprio e, por tabela, consegue conquistar um nível de produtividade (e de vendas também, é claro) muito maior. Pense em tudo isso com muita atenção e… saia na frente!