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PLANO DE AÇÃO DICAS QUE FUNCIONAM, DADAS POR QUEM ESTÁ NO MESMO BARCO

O que as padarias associadas ao SAMPAPÃO estão fazendo para proteger seus clientes e ativar seus negócios em tempos de COVID-19.

Não está sendo fácil. A chegada da COVID-19 ao Brasil lançou um desafio extra para as padarias da base territorial do SAMPAPÃO, principalmente no que diz respeito ao serviços de restaurante oferecidos por elas, e que representam uma parte substancial – e, não raro, majoritária – de seus faturamentos. Devido às medidas de prevenção da doença, que incluem isolamento social, as pessoas estão deixando de sair de casa e mudando gradualmente seus hábitos de consumo: em vez de ir até uma padaria para realizar suas principais refeições, a nova rotina inclui colocar a mão na massa e preparar os próprios alimentos e, às vezes, pedir comida em domicílio.

E os impactos disso nos negócios das padarias tem sido cruel: de acordo com estimativas do SAMPAPÃO, atualizadas no início de abril, as panificadoras da Grande São Paulo tiveram, em média, queda de 60% no faturamento. “As padarias grandes, que servem, além de pães e doces e refeições aos clientes, foram ainda mais afetadas, e tiveram queda de até 90% no faturamento, o que já gerou uma onda de demissões no setor”, afirmou o presidente das entidades, Antero José Pereira, em entrevista ao programa RB News, da Rádio Bandeirantes. Nela, ele assinalou que, devido à queda brusca no faturamento, donos de pequenos e grandes estabelecimentos já buscaram apoio do SAMPAPÃO, a fim de obter informações sobre linhas emergenciais de financiamento e auxílio para honrar seus débitos.

Porém, apesar das iniciativas dos Governos Federal e Estadual, os panificadores continuam enfrentando algumas dificuldades. “A gente sabe que houve lançamento de algumas linhas de crédito, mas esses empréstimos são difíceis de conseguir por conta da ‘Certidão Negativa de Débitos’. É muito difícil para o pequeno comércio, que fatura de manhã para pagar as contas à tarde, não ter alguma ‘coisinha’ enroscada que trava o financiamento”, pontuou Antero na entrevista.

Seja como for, embora as dificuldades atuais impostas pela COVID-19 sejam bastante reais, o presidente do SAMPAPÃO fez questão de deixar uma mensagem de otimismo na ocasião, sinalizando que, após a pandemia do coronavírus, a recuperação do setor deve ocorrer em um ritmo acelerado. “Acredito que somos beneficiados pela rapidez, porque vendemos produtos de primeira necessidade. Acabando a crise, vamos retomar paulatinamente os negócios do setor e voltar a contratar”, enfatizou na ocasião.

O BÁSICO NECESSÁRIO

Em linha com esse pensamento, os associados do SAMPAPÃO estão dando um banho de resiliência e de criatividade no sentido de buscar alternativas para se manterem e continuarem ativas e operantes em meio ao estado de “guerra” que se instalou em nossa sociedade. De forma geral, elas operam de acordo com as normas estabelecidas no que diz respeito a Boas Práticas de Fabricação e a procedimentos para evitar transmissão de doenças. Contudo, no momento atual, faz-se necessário intensificar tais orientações, não só para a manutenção da saúde das pessoas, como também a dos negócios. Assim, cientes de que o gerenciamento da crise traz confiança para a equipe, uma medida muito assertiva é conversar bastante com os colaboradores, salientando a importância de que sigam os procedimentos de higiene e produção, nas áreas de vendas, bem como nos setores internos.

Nesse âmbito, lavar corretamente as mãos, usar máscaras e luvas, cuidar da limpeza geral do estabelecimento – em especial daquela dos banheiros –, da desinfecção constante de superfícies, catracas, comandas, corrimãos, teclados de computador, máquinas de pagamento de cartão e áreas de contato generalizado nos caixas, bem como nunca deixar faltar sabão líquido e papel toalha nas pias dos clientes, além do álcool gel nos dispensers e sobre todos os balcões, são medidas que vêm sendo seguidas à risca pelas panificadoras da Grande São Paulo.

Nas áreas de balcão e de autoatendimento, além das regras de higienização permanente, muitas padarias também já adotaram a iniciativa de colocar adesivos no piso, para marcar a distância segura que as pessoas têm que manter uma das outras nas filas do pão e dos buffets de comidas – com álcool gel e papel toalha também, junto aos pegadores e colheres –, que, como todo mundo sabe, só podem agora ser levadas pelo sistema de take away, para consumo em casa.

CRIATIVIDADE APLICADA

Do ponto de vista das estratégias de negócio para vencer a crise e aumentar suas vendas, muitas panificadoras associadas ao SAMPAPÃO, com proatividade, estão transformando os espaços temporariamente fechados de seus restaurantes em lojas de conveniência. A proposta é que, em função da redução da mobilidade e do tempo de permanência dos clientes fora de suas casas, estes possam encontrar nas padarias boa parte daquilo que precisam.

Finalmente, vale destacar o fato de que praticamente todas as padarias e confeitarias da base territorial do SAMPAPÃO vêm adotando e intensificando como “arma” de sobrevivência o sistema de delivery (notadamente por meio aplicativos), ampliando até mesmo a área geográfica de suas entregas.

Para divulgar a iniciativa, além de cartazes e folhetos afixados distribuídos na própria casa, elas vêm utilizando – com grande sucesso e alto grau de responsividade por parte dos clientes, é importante registrar – todas as suas redes sociais, tais como o Facebook, o Instagram, o Twitter e o Youtube, tudo isso em paralelo à atualização diária de seus sites. Nesse sentido, algumas padarias localizadas em regiões de proximidade com grandes condomínios também estão promovendo reuniões virtuais com a coordenação destes, visto que, efetivamente, essas lojas de proximidade podem atender muito rapidamente a esses clientes em suas demandas.

QUAL É A “COR” DA SUA PADARIA?

Fazendo-se uma análise fria da questão, em um panorama que estabelece, no mínimo, três meses de isolamento por conta da COVID-19, com baixo – ou baixíssimo – faturamento para as padarias, a realidade é que, segundo especialistas em gestão de crise, existem três níveis de empresas com capacidade de enfrentamento bem diferentes no momento atual, definidas por diferentes cores.

Em primeiro lugar, vêm as chamadas “Verdes”, que possuem alto poder aquisitivo, ou seja, podem atuar sem grande fluxo de caixa e conseguem retomar ao mercado tranquilamente após a crise. Em seguida; vêm as

Amarelas”, que contam com um caixa razoável para manter as contas em dia, mas sem fluxo diário vão entrar no negativo e, consequentemente, ter dificuldade para se estabilizar novamente. Por fim, vêm as “Vermelhas”, que já estão com capital de giro zerado e não sabem nem como vão pagar o aluguel no final deste mês. E entender muito bem a “a cor” em que sua padaria se enquadra, é fundamental para dar a resposta adequada de agir agora, a fim de garantir sua sobrevivência.

“As empresas ‘Verdes’ podem e devem criar oportunidades neste momento de crise. Como o foco desses empreendimentos não é sobreviver, eles devem continuar aparecendo na mídia de forma positiva, investindo no próprio marketing e pensando no futuro da organização”, aconselha o experiente empresário e estrategista José Araújo Netto, sócio fundador das redes Porks – Porco & Chope e Mr. Hoppy, de Curitiba/PR.

Segundo ele, para as empresas ‘Amarelas’, o mais importante é cuidar dos funcionários e colaboradores, mantendo os salários em dia, mesmo que seja necessário estabelecer uma redução de carga horária ou adiantar as férias coletivas. “Uma boa orientação para elas é também antecipar os recebíveis, como valores de cartão de crédito ou de aplicativos de delivery. Mesmo que isso signifique perder um pouco, devido às taxas de adiantamento, esse dinheiro em mãos pode salvar a receita do estabelecimento”, argumenta.

Já para as empresas ‘Vermelhas”, que entraram na crise do coronavírus com pouco fluxo de caixa, as dicas vão além de antecipar receitas, renegociar prazos e manter as redes sociais ativas. “Para as padarias que se encontram nessa faixa, o melhor é buscar apoio profissional”, recomenda. Sim, neste momento, existem diversos consultores oferecendo apoio gratuito ou no modelo “pague mediante bons resultados”.

Só que o problema aqui – embora a reação precise ser imediata – é conseguir fugir dos aproveitadores e “picaretas de plantão”, e pedir ajuda a pessoas sérias e competentes, com currículo de eficiência e eficácia no que fazem. Então, em vez de simplesmente buscá-las entre o emaranhado de dicas da internet, o melhor é conversar com o SAMPAPÃO e/ou com outros panificadores que já utilizaram serviços semelhantes, a fim de que eles possam atestar seus históricos de probidade, honestidade e integridade desses profissionais.