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PADARIA FOOD SERVICE – MUITO MAIS DO QUE UM CAFEZINHO – Pág. 14

Seguindo em tendência de forte crescimento no Brasil, a dinâmica de consumo de cafés especiais dá a dica para o panificador: eles não podem faltar em sua padaria.

 

O inverno já se foi há um tempão, e a primavera – estação florida do ano, mas meio arisca em 2018 em termos de baixas temperaturas e chuvas despencando do céu – também já se prepara para fazer as malas, dando lugar do verão. Aí vem a pergunta: o que as duas estações mais gostosas do clima ano tiveram em comum? Bem, entre outras coisas o aumento do “apetite” dos clientes das padarias por tomar café, em especial o do tipo premium ou gourmet, para os mais descolados. E, ao que parece, nem o calorão anunciado para a próxima temporada vai inibir o gosto dos consumidores por bebidas quentes, derrubando um mito de muitas décadas. Até porque, vamos combinar, pelo fato de que os panificadores foram espertos, e também vêm colocando à disposição deles um cardápio cada vez maior de bebidas frias e/ou geladas, tendo o café como protagonista da receita.

Tudo isso comprova, mais uma vez, que o “pretinho básico” é, de verdade, uma paixão nacional. E, segundo um estudo realizado pela Euromonitor International, com a esperada recuperação do crescimento econômico, uma nova fase relacionada a ela já se alinha no horizonte, incentivando ainda mais a venda do produto no Brasil. Na avaliação da consultoria, o País está prestes a entrar no que ela chama de “3ª Onda de Consumo do Café”. Nessa etapa, o consumo fica mais sofisticado e os points que oferecem a bebida – como é o caso das padarias, cafeterias e lojas especializadas, estão sendo estimuladas a desenvolver novas formas de servi-la para atrair clientela.

“As empresas passam a investir mais na preparação manual e em processos que exaltam as características de cada grão. A figura do barista ganha relevância e o consumidor passa a ser mais exigente com a qualidade do café consumido”, afirma Angélica Salado, analista sênior da Euromonitor International, citando cases do Canadá, Holanda, França e Alemanha como países que já vivem essa nova realidade. Então, fica a dica: há muitas formas de servir cafés especiais e agradar os diferentes tipos de clientes de sua padaria, além do tradicional coado e do espresso, tais como as cafeteiras globinho, francesa e italiana, bem como o aeropress, só para citar algumas delas.

 

SURFANDO NA ONDA

De acordo com a analista, existem várias ondas no mercado consumidor de café. A primeira consiste no aumento do consumo da bebida, mas sem preocupações com a origem e qualidade do grão. A segunda – na qual o Brasil se encontra – é marcada pela especialização e pelo aumento do consumo fora do lar. E a diferenciação de cafés por origem e torrefação é uma das principais características dessa fase. Na avaliação da analista, os brasileiros apresentam mais preocupação em ter experiências de compra e de consumo diferenciadas, o que estimula o desenvolvimento de produtos para consumo nas cafeterias e nas padarias, notadamente naquelas que já mantém as famosas “Ilhas de Café”.

Ainda de acordo com a Euromonitor, o consumo segue em tendência de crescimento no Brasil. Em 2018, o consumo fora do lar deve registrar uma alta de 4% em volume. No varejo, o crescimento esperado é de 4%. O volume consumido no varejo é o dobro do registrado fora do lar. “Apesar dos cenários político e econômico ainda serem muito desafiadores, o mercado segue crescendo no mesmo ritmo que os anos anteriores e acima da média mundial”, afirma Angélica. “E, até 2022, o consumo no país deve alcançar 1,3 milhão de toneladas, uma alta de 15% em relação a 2018”, destaca a consultora.

 

SEMANA DO CAFÉ

O estudo do Euromonitor foi divulgado recentemente durante a SIC – Semana Internacional do Café 2018, realizada entre os dias 7 e 9 de novembro, no ExpoMinas, centro de grandes feiras em Belo Horizonte/MG. Ao todo, o evento contou com 25 eventos simultâneos, mais de 160 expositores, 400 amostras para a escolha do café campeão do ano, mais de 300 compradores internacionais e 140 baristas de 60 países.

“O Brasil é o segundo maior consumidor da bebida do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. E é muito bom ver que o consumo de cafés especiais, que já é uma realidade no exterior, é tendência que vem se ‘instalando’ cada vez mais por aqui também. Um termômetro disso é o aumento exponencial dos empreendedores – entre eles, muitos donos de padarias – que buscam informações sobre eles, elevando o papel do café premium de coadjuvante ao de protagonista em seus estabelecimentos”, comemora Mariana Proença, diretora de Conteúdo da Café Editora, responsável pela Revista Espresso, pela publicação de guias e livros sobre o café e, ainda, responsável pela curadoria das palestras da SIC de Belo Horizonte, que também coordenou os trabalhos do bem-sucedido projeto da Estação Café, realizado em julho, durante a FIPAN 2018.

E o incentivo a novos negócios de café especial, fomentados nos últimos anos, abre ainda mais oportunidades. Conforme pesquisa da agência de notícias britânica Reuters, esse mercado irá dobrar de tamanho até 2020. “Há alguns anos, íamos tomar bons cafés na Europa. Hoje os cafés brasileiros estão no mundo inteiro, com garantia de origem, terroir, certificações. E esse é um caminho sem volta”, enfatiza Teodomiro Diniz Camargos, presidente do Conselho Deliberativo do SEBRAE Minas, co-promotora da Semana Internacional do Café 2018.