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HOMENAGEM – ATÉ UM DIA, AMIGO ROBERTO! – Pág.12

Siga em paz, Roberto Leal: você nunca será esquecido e estará sempre na mente e nos corações de todos aqueles que tiveram a sorte de conhecê-lo e de se contagiar com a sua alegria

 

 

ATÉ UM DIA,
AMIGO ROBERTO!

 

 

Na manhã do domingo, 15 de setembro, brasileiros, portugueses e fãs de todo o mundo receberam a triste notícia da morte do cantor e show-man Roberto Leal, depois de mais de dois anos de brava luta contra uma devastadora doença. Aos 67 anos, ele estava internado no Hospital Samaritano, na capital paulista, e não resistiu a uma síndrome de insuficiência hepato-renal, decorrente de um melanoma maligno, o tipo mais grave de câncer de pele. Casado com Márcia Lúcia, tinha três filhos brasileiros, entre os quais o produtor musical Rodrigo Leal.

António Joaquim Fernandes nasceu em 1951, em Macedo de Cavalheiros, distrito de Bragança, na região Norte de Portugal. Cantor e compositor, mudou-se aos 11 anos de idade, acompanhado pelos pais e nove irmãos, para São Paulo, aonde, na juventude, chegou a trabalhar como sapateiro e vendedor de doces, antes de tentar a sorte na música cantando baladas românticas e fados portugueses, que logo encantaram as plateias brasileiras.

O sucesso chegou na década de 1970, quando estourou após sua aparição no programa Discoteca do Chacrinha, cantando “Arrebita“, canção que, junto com “Bate o Pé”, foi presença obrigatória em seus shows até o final da vida. Chacrinha, aliás, foi seu grande padrinho de vida nos palcos. Em algumas entrevistas, ele chegou a revelar que o “Velho Guerreiro” até foi o responsável pelo seu “batismo” com o nome de Roberto Leal: “Leal, porque sempre que o Chacrinha me chamava, eu estava lá no programa; e Roberto porque ele dizia que eu ia ser tão famoso quanto o Roberto Carlos”, costumava contar, sempre emocionado.

Em 1978 participou do filme “Milagre – O Poder da Fé”, com partes filmadas na cidade natal do cantor e a participação especial de alguns nomes importantes como o próprio apresentador Chacrinha, além de Elke Maravilha e a atriz Lolita Rodrigues. Lançado em 1979, o longa abordou a história da vida de Roberto. E, além de cantor e compositor, foi também, entre muitas outras coisas, apresentador de programas na Rádio Capital de São Paulo na década de 1980, apresentador no canal português TVI e no Brasil, tendo ainda apresentado programas na TV Gazeta e Rede Vida.

 

HINO ÀS PADARIAS

Além do repertório romântico-popular, o trabalho Roberto Leal também se caracterizava por mesclar ritmos lusitanos aos brasileiros, além de ter gravado inúmeras canções em estilos tipicamente verde e amarelos, como o samba e o forró. Por conta disso, além de ser um verdadeiro embaixador da cultura portuguesa no Brasil, seu imenso amor por nosso País fez que ele se transformasse no embaixador artístico do Brasil para o mundo inteiro.

“Faço um desafio de quantos artistas tiveram essa atenção, esse carinho no país dos outros. Em Portugal, ele era chamado de ‘português brasileiro’. E ele até gravou uma música que diz exatamente isso. Ele era um cara que se apaixonou pelo Brasil de verdade. Se você pegar a discografia do meu pai você vai ver que ele se deixou misturar. Ele gravou no Maranhão, Recife, Piauí, São Paulo e muito mais. Essa é a grande obra artística dele”, conta Rodrigo Leal.

Além dos sucessos em mais de quatro décadas de carreira na música, Roberto Leal deixou seu nome na história do futebol de São Paulo. Torcedor ilustre da Portuguesa, escreveu uma música que se tornou o hino oficial do clube. Mas foi outro hino de sua lavra que emocionou os panificadores de São Paulo e de todo o Brasil: o “Hino às Padarias”, composto por ele em 2016, que integrou seu álbum intitulado “Arrebenta a Festa”, lançando no mesmo ano para comemorar seus 45 anos de carreira, e o último dela, que contou com 50 discos e coletâneas, mais de 400 músicas e perto de 20 milhões de álbuns vendidos.

“Quando meu amigo e irmão Antero Pereira, presidente do SAMPAPÃO, me pediu para que eu o compusesse, senti que havia chegado a hora certa de dar vazão às minhas emoções em relação a essa valorosa categoria de profissionais, a quem tanto admiro, tenho o maior carinho, agradeço e fiz questão de homenagear, ainda que de forma modesta, mas muito sincera”, revelou o cantor, em entrevista exclusiva concedida à Revista IPC, em junho daquele ano. “Roberto fez parte da minha juventude e de minha esposa Lola, inclusive com uma música que adoramos até hoje, que é ‘Menina Faceira’. Sempre foi um amigo e irmão querido também, que fez jus a seu sobrenome ‘Leal’, cuja perda prematura e irreparável nos comoveu e nos deixou muito tristes”, comenta Antero, sem esconder a emoção.

“Baluarte do amor e da fraternidade entre os brasileiros e portugueses, Roberto foi um amigo de verdade, uma figura muito especial e um grande parceiro de todas as horas. Quando eu era diretor Social do SAMPAPÃO tive a oportunidade e o prazer de contratá-lo para muitos shows e de convidá-lo para muitos eventos das entidades, que ele sempre fez questão de prestigiar. Ele tinha uma vida muito grande ainda pela frente, e, nos últimos anos, lutou com muita força de vontade para viver. Mas, infelizmente, não foi possível, e nos deixou antes da hora, deixando já muitas saudades”, afirma, também bastante comovido, Rui Manuel Rodrigues Gonçalves, vice-presidente do Sindipan-SP.

Vai o grande homem, mas fica para sempre a sua memória. Siga em paz, Roberto: você nunca será esquecido e estará sempre na mente e nos corações de todos aqueles que, nesta vida, tiveram a sorte de conhecê-lo e de se contagiar com a sua alegria!