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GESTÃO – AS PANIFICADORAS E A EXCELÊNCIA NO ATENDIMENTO AO CLIENTE – Pág. 17

Ainda pouco conhecidas no Brasil, essas startups trabalham para inovar a oferta de crédito e de serviços financeiros em prol de seus negócios.

 

 

As pequenas e médias empresas são um dos principais motores da economia brasileira. Na contramão dessa constatação, entretanto, elas encontram uma séria de dificuldades para obter empréstimos junto a instituições financeiras tradicionais. “Burocracia e juros altos tornam o empréstimo praticamente inviável. Segundo o SEBRAE, 84% das pequenas e microempresas não têm acesso a linhas de financiamento, destinadas principalmente a grandes negócios”, explica Jorge Vargas Neto, CEO e fundador da fintech de crédito Zen Finance. Segundo ele, um dos principais entraves é a assimetria de informação. “A ausência de dados faz com que bancos, ao usarem o modelo tradicional de análise de crédito, não consigam avaliar adequadamente os riscos e, consequentemente, acabam negando o empréstimo ou liberando-o com juros altos”, complementa.

Ainda desconhecidas pela maioria das empresas, as fintechsstartups que trabalham para inovar a oferta de serviços financeiros, incluindo concorrentes, instituições de pagamentos não bancários e grandes empresas de tecnologia – não param de crescer no Brasil. Operando com custos menores de operação, essas instituições conseguem reduzir as taxas cobradas aos empresários, gerando, ainda, vantagens como a objetividade nos negócios, graças à menor burocracia nos processos de concessão de empréstimos. Sim, porque, na prática, com modelos de negócio inovadores e custos mais baixos, as fintechs também contribuem para a redução do spread e o aumento da concorrência no setor financeiro. Além disso, com mais tecnologia e presença digital, as startups conseguem acessar mercados mal atendidos pelos grandes bancos, como é o caso dos pequenos e médios empreendimentos.

“A maioria dos bancos está com dificuldades para encontrar o equilíbrio entre investimentos tradicionais e capacidades digitais, ao mesmo tempo em que buscam atender as necessidades dos clientes digitais e manter os sistemas legados que protegem seus dados”, explica Alan McIntyre, diretor geral sênior da Accenture, empresa líder global em serviços profissionais, com ampla atuação e oferta de soluções em estratégia de negócios, consultoria, digital, tecnologia e operações. “Os bancos não podem simplesmente ativar digitalmente seus negócios como de costume e ter sucesso. Até agora, a abordagem conservadora em relação aos investimentos digitais prejudicou a habilidade de eles desenvolverem novas fontes de crescimento, essencial para se fugir do aperto da concorrência digital e da deterioração dos retornos”, revela o executivo.

Nesse contexto, as fintechs surgem como uma alternativa aos bancos tradicionais para ampliação da oferta de crédito no País. Elas trazem inovações na análise de risco, como o processamento de um volume muito grande de informações (Big Bata), o que permite identificar rapidamente o perfil e comportamento de quem pede o empréstimo. Além disso, a maciça injeção de recursos que vem sendo realizado por essas startups no novo modelo das fintechs possibilita aumentar ainda mais a oferta de produtos de crédito, levar mais facilidade, segurança e melhores condições para os clientes.

 

MELHORANDO A INFORMAÇÃO

Com o objetivo de clarear os horizontes da concessão de crédito, as fintechs foram, recentemente, tema de dois eventos realizados na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Assim, foi realizado o “Seminário Fintechs – Novas soluções financeiras para seu negócio” e uma Rodada de Atendimento aos Empreendedores. Na ocasião, também foram apresentados os resultados da pesquisa “Fintechs: alternativas aos bancos tradicionais”, elaborada pela federação com a participação de 400 indústrias no estado.

“Conforme o estudo, as fintechs ainda são pouco conhecidas pelas empresas. Mas há espaço para crescimento, já que a principal motivação das empresas que nunca buscaram crédito ou utilizaram outros serviços financeiros fora do sistema bancário tradicional é a falta de conhecimento”, explica Sylvio Gomide, diretor titular do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (DEMPI) da entidade e do Acelera FIESP. E entre os motivos que o fazem acreditar na expansão dessas instituições no Brasil está o fato de que 78% das fintechs nacionais têm serviços financeiros para oferecer às empresas.

Além disso, a principal área apontada pelas empresas da pesquisa como atendimento deficiente pelos bancos tradicionais é a de crédito para capital de giro. “Cerca de 30% das empresas já buscaram crédito em instituições financeiras outras que não os bancos tradicionais”, revelou o executivo. A motivação para fugir dos gigantes do mercado financeiro é a facilidade na contratação para 53% dos empreendedores, seguida pela agilidade no retorno da operação e pelas melhores taxas/tarifas. Segundo Sylvio Gomide, 20,5% das empresas já usaram serviços financeiros fora do sistema tradicional. “Dessas, 76,5% avaliam a experiência como boa ou excelente”, sublinha.

Nessa linha, as melhores tarifas e a facilidade na contratação também motivariam quem nunca procurou uma fintech a dar uma chance a essas instituições. “O índice de satisfação é alto, precisamos apresentar essas possibilidades ao mercado. Acreditamos no empreendedorismo, até porque a FIESP tem esse DNA. Afinal, essa é uma casa de negócios”, finaliza Gomide.