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FESTAS DE FINAL DE ANO – ACEITA UM BISCOITO? – Pág.24

A produção de biscoitos natalinos é uma excelente opção para você diversificar os a oferta de produtos aos clientes de sua padaria na festa mais bonita e colorida
do ano.

 

 

Panetones tradicionais e com recheios cremosos, bolos de Papai Noel e bolos-rei, tortas de nozes e morango, brownies no palito e torres de pão de ló em forma de pinheiros, pão de floco de neve e as mais variadas guloseimas e docinhos temáticos. Todos esses itens costumam vender muito e fazer um enorme sucesso nas padarias no Natal. Mas há uma categoria de produtos ainda pouco explorada pelas panificadoras, que podem funcionar muito bem como alternativa de presente e de lembrança para serem oferecidos por seus clientes às suas famílias e amigos: os biscoitos natalinos decorados.

“O Natal é época de união, de gostosuras, de magia, e também de grandes oportunidades de negócios. E esses biscoitos são uma tradição que se renova e encanta pelas formas e decorações, ajudando a resgatar e levar o encantamento da festa e fazer do Natal um momento inesquecível”, diz Marcela Alejandra Sanchez, renomada professora da plataforma eduK.

Muito fáceis e rápidos de fazer, os biscoitos natalinos utilizam em sua receita ingredientes presentes em toda padaria, tais como farinha de trigo, manteiga e ovos, confeitados com dragées, nozes, amêndoas ou frutas secas, com desenhos de várias cores feitos com bicos de confeiteiro e/ou recobertos com chocolate.

Além disso, podem ser produzidos nos mais variados tamanhos, utilizando moldes com formatos variados, desde os redondos tradicionais, até aqueles com motivos natalinos, como, por exemplo, bonecos de neve, Papais e Mamães Noéis, homenzinhos de gengibre, duendes, pinheiros e árvores de Natal e bengalas coloridas. Quanto à forma de comercialização, podem ser vendidos avulsos, acondicionados por unidade, bem como em pequenas quantidades, em saquinhos ou caixinhas para presente, ou, ainda, em composições temáticas e/ou como parte de cenários artísticos, decorando desde bolos convencionais até aqueles recobertos com pasta americana. As opções são inúmeras, dependendo da criatividade do confeiteiro. Mas o lucro e a rentabilidade da venda são garantidos.

 

COOKIES TERCEIRIZADOS

Sem dúvida alguma, quando o assunto são biscoitos temáticos, como os natalinos, o céu é o limite para a criatividade do time de confeiteiros de sua padaria. Mas caso você não queira sobrecarregá-la com a produção desses itens numa época sabidamente corrida como a das festas de final de ano, a boa notícia é que você pode terceirizá-la a alguma empresa especializada, com muita segurança, qualidade de produto, prazos de entrega respeitados à risca e, se quiser, até com sofisticação, capaz de transformar algo simples como um biscoito, num presente ou lembrança refinada para os clientes de sua panificadora agradarem seus familiares e os amigos mais queridos.

Uma dessas empresas é a Maria Bolo Doçaria, localizada no coração do bairro nobre de Moema. Ali, sua simpática proprietária, a empresária Elisabeth Giraldi Di Calia, comanda uma equipe muito bem treinada de profissionais especializados na fabricação de verdadeiras obras de arte, como bolos, doces, sobremesas e guloseimas maravilhosas, entre eles cookies bem diferentes daqueles encontrados no mercado, com altíssimo potencial de venda.

“Até há pouco tempo, trabalhávamos exclusivamente para atendimento das necessidades de comercialização de nossa casa. Mas recebemos um pedido de uma rede de docerias com três lojas em shoppings para fabricarmos cookies temáticos para o último Halloween, e resolvemos encarar o desafio. Nós cuidamos da produção, entregamos à rede cliente, que os acondicionou em embalagens customizadas com a logo e a marca da rede. E o sucesso foi tanto, que essa experiência-piloto já está nos animando a passar a atender a outros clientes, como as padarias”, comemora Elisabeth.

No entanto, ela avisa que os biscoitos da Maria Bolo são produzidos totalmente de maneira artesanal, sem a utilização de quaisquer maquinários, com pintura individual à mão e acabamento em glacê, o que faz, naturalmente, com que eles custem um pouco mais caro. Mas nada impraticável para a venda nas panificadoras em que o público está disposto a pagar por diferenciação.

“Na prática, cada uma dessas peças, embora replicada em quantidades variadas, é uma criação única, o que não a enquadra, sabemos disso, na categoria dos itens ‘baratos’. Contudo, em escala de produção, conseguiríamos chegar até o valor de R$ 5 por unidade para venda aos panificadores, com a sugestão de que sejam repassados aos clientes finais pelo preço de R$ 11, como acontece aqui em nossa loja, onde, aliás, eles são tops na preferência do público. Ou seja, o lucro é de mais de 50%”, explica a empresária. “E como são muito vistosos – mas, em função de suas próprias características, muito frágeis ao manuseio –, recomendamos que os biscoitos sejam colocados dentro das vitrines das lojas e/ou oferecidos aos clientes das padarias em latas ou caixinhas bem bonitas, o que, aliás, aumenta o potencial de eles serem transformados em delicadas opções de lembrancinhas para serem  presenteadas no Natal, por exemplo”, deixa a dica a proprietária da Maria Bolo.

 

 

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COMO SURGIU A TRADIÇÃO
DOS BISCOITOS DE NATAL

Existem muitas histórias sobre a origem dos biscoitos de Natal. As mais antigas e tradicionais falam especificamente daqueles de gengibre e mel, que são os principais ingredientes dos pequenos homenzinhos natalinos. Uma delas remete ao Século 15, na Europa, onde já havia a tradição de construir casas e bonequinhos de pão de mel para serem presenteados às crianças durante os festejos de final de ano. Esse relato, aliás, inspirou mais tarde os irmãos Grimm a criarem a famosa história de João e Maria.

Para os alemães, eles surgiram nos conventos e mosteiros também na Idade Média. Desde então, as famílias se reúnem para fazer os famosos biscoitinhos, que servem de ornamento para os pinheiros e são devorados após a ceia. Já para os nórdicos, a tradição nasceu na Escandinávia, no ano de 1875. Conta-se que lá uma velha senhora assou um grande biscoito no formato de homenzinho, com boca, olhos e botões confeitados. No entanto, aconteceu que, ao abrir o forno, o biscoito pulou da fôrma e saiu correndo pela janela. E é a famosa professora de confeitaria e grande estudiosa da profissão Janaína Suconic, quem conta o final dessa história: “Enquanto escapava, o homenzinho dizia: ‘Corram, corram! Corram o mais rápido que puderem! Vocês não podem me pegar. Eu sou o homem de biscoito!’ Durante sua jornada ele foi encontrando mais pessoas e animais famintos, mas ele sempre conseguia escapar e cantando uma bela canção”, descreve a chef-pâtissier.

Na Inglaterra, por sua vez, conta-se que tudo começou quando, numa festa de Natal, a Rainha Elizabeth I ordenou que se servissem no tradicional “Chá das Cinco” cinco homenzinhos de pão de mel e gengibre, retratando cada um de seus convidados. Já na Itália, dizem que a receita nasceu durante uma visita do bispo de Milão à pequena comuna de Saronno. Um jovem casal resolveu preparar biscoitos para agradá-lo, mas como exageraram no açúcar, o jeito foi adicionar pedaços de amêndoas amargas à mistura, para equilibrar o sabor. O cardeal gostou tanto do resultado que os abençoou, desejando um longo e feliz casamento.

Por fim, para os norte-americanos a tradição dos biscoitos natalinos ganhou popularidade na década de 1930, quando as crianças, além de ajudar a prepará-los, ofereciam alguns ao Santa Claus – como é conhecido o Papai Noel por lá –, juntamente com um copo de leite, aprendendo desde cedo uma importante lição de gentileza e gratidão. Há, inclusive, quem credite aos biscoitos a forma “rechonchuda” do Velho Noel.

 

 

BOX2

SÓ PARA AS CRIANÇAS COMPORTADAS

Uma referência histórica da Idade Média, fala da receita dos befanotti ou befanini della Lucchesia, que são biscoitos amanteigados, aromatizados artesanalmente com cascas de laranja e de limão raladas, produzidos com moldes em formato de símbolos do Natal, ainda hoje entregues como sinal de boa sorte, em rústicas cestinhas de vime, aos meninos e meninas que se comportaram bem durante o ano inteiro na província de Lucca (daí o nome “Lucchesia”), belíssima região da Toscana, na Itália, no Natal e, ainda, na noite entre 5 e 6 de janeiro – a “Noite da Epifania” –, para celebrar a visita da Befana, uma personagem do folclore italiano, semelhante a São Nicolau, o Papai Noel. De acordo com a tradição, a Befana é uma mulher muito velha, que voa em uma vassoura desgastada, como uma espécie de bruxinha do bem. Por terem uma longa duração e poderem ficar fora de refrigeração, esses biscoitos são utilizados até hoje para enfeitar árvores e arranjos natalinos que ficam muito charmosos.

A receita a seguir é de um tipo especial e muito famoso de befanotto originário da região de Lucca, no coração da Toscana. Ela foi extraída do livro “O grande livro da verdadeira culinária da Toscana”, de Paolo Petroni. Confira e replique na sua padaria!

 

 

BEFANOTTI DELLA LUCCHESIA

 

INGREDIENTES

¡   500 g de farinha de trigo

¡   300g de açúcar

¡   150g de manteiga

¡   3 ovos

¡   1 copo pequeno de rum (ou de essência da bebida, se os befanotti forem servidos às crianças)

¡   Cascas de 2 laranjas

¡   Meio copo de leite

¡   Um tablete de fermento biológico

¡   Uma pitada de sal

 

PARA A DECORAÇÃO

¡   Um ovo para pincelar os biscoitos

¡   Dragées coloridos

¡   Confeitos de açúcar

 

PROCESSO DE FABRICAÇÃO

A massa deve ser misturada numa batedeira planetária, ou, se o confeiteiro preferir, também pode ser preparada à mão, o que, entretanto, vai dobrar o tempo de fabricação dos biscoitos.

  1. Sobre a bancada de trabalho, faça um monte com a farinha de trigo misturada ao fermento.
  2. Abra um buraco no centro do monte e adicione o açúcar, uma pitada de sal, a casca de laranja ralada e a manteiga cortada em pedaços pequenos.
  3. Em separado, misture rapidamente a manteiga com os ovos e o rum (ou essência), e adicione o leite somente se a massa estiver muito difícil de trabalhar.
  4. Deixe a massa descansar na geladeira por pelo menos uma hora.
  5. Estenda a massa com um rolo sobre uma placa bem enfarinhada, deixando-a com uma espessura de 4mm a 5mm.
  6. Corte a massa usando seus moldes favoritos; pinheiros, estrelas, meias da Befana, homenzinhos, pequenos animais etc. Um toque rústico no acabamento dos befanotti também faz parte da magia artesanal do biscoito. Em outras palavras, certo grau de irregularidade nos formatos é perfeitamente admissível.
  7. Pincele os biscoitos com ovo batido, decore-os com os dragées e os confeitos.
  8. Asse em forno pré-aquecido a 180°C por 15 a 20 minutos.

 

RENDIMENTO

Uma receita serve até 6 pessoas.