DESTAQUE – ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL – pág.54

EM BUSCA DO EQUILÍBRIO

O mercado de refeições saudáveis está em franco crescimento no Brasil.
Mas é importante lembrar que a proposta de viver melhor não significa para as pessoas, absolutamente, sinônimo de perder horas tentando encontrar os alimentos perfeitos.

Conhecer os hábitos de alimentação da população – e a atualização destes ao longo dos anos – ajuda muito na oferta de produtos na padaria.
E entre os destaques nesse campo, a busca pela alimentação saudável e equilibrada vem dando de goleada entre as principais tendências alinhadas na hora de fazer as refeições.
É o que mostra um estudo recentemente divulgado pela agência de pesquisas Euromonitor Internacional, preconizando que, até o ano de 2021, o mercado de alimentação saudável no Brasil deve crescer, em média, 4,41% anualmente. Para se ter uma ideia, o levantamento revela que o crescimento do mercado de alimentos saudáveis
deverá movimentar R$ 63,5 bilhões em 2018 no Brasil, o que representa uma alta de 0,8% em relação ao ano passado. Ou seja, com esse montante o Brasil ficou na quinta posição do ranking mundial dos países mais importantes para o setor. Já de acordo com dados da FIESP, oito em cada dez brasileiros afirmam que se esforçam
para ter uma alimentação saudável e 71% dos entrevistados apontam que preferem produtos mais saudáveis, mesmo que tenham que pagar caro por eles.
Tudo isso reforça que, sem dúvidas, essa é uma tendência que deve merecer a atenção especial dos panificadores e
uma área excelente para se investir sem medo nas padarias.

GOSTINHO DE FEITA EM CASA
Desfazendo um equívoco básico, quando se fala em alimentação saudável os especialistas não se referem apenas aos alimentos com baixo índice de gordura, com poucas calorias, baixo teor de sal e açúcar e, ainda, sem glúten, este último, aliás, vítima do mito infundado de que “faz mal à saúde”, que vem sendo combatido sistematicamente pelo SAMPAPÃO e por entidades, como a Abitrigo, por meio de campanhas como a “Glúten: Contém Informação”.
Na verdade, esse espectro é bem maior, porque uma alimentação saudável também engloba refeições frescas e leves, mesmo em exemplos como a feijoada, que, segundo quem entende do assunto, pode ser consumida sem medo, desde que sem exageros e elaborada com ingredientes sem conservantes. Acompanhar o desejo dos clientes da padaria, principalmente nas ofertas do foodservice, é absolutamente fundamental. E esse desejo, para os brasileiros, tem
muito a ver com a busca por uma comida com “gostinho de feita em casa”, como aquela da mamãe ou da vovó, contendo ingredientes frescos e livres de aditivos.
Além disso, um detalhe também serve como diferencial nessa demanda do consumidor: como a vida anda cada vez mais corrida, principalmente nos grandes centros urbanos, tal proposta de saudabilidade afetiva deve vir acompanhada infalivelmente pela rapidez no preparo dos pratos, mais ou menos no pique de um fast-food. Afinal, todo mundo quer cuidar da saúde, mas não quer perder muito tempo com isso – geralmente (e infelizmente) a prática benfazeja do slow-food tem que ficar restrita apenas aos finais de semana. De qualquer forma, é uma busca pelo equilíbrio.

BUSCA PELA PERFEIÇÃO ALIMENTAR?
E por falar em equilíbrio, segundo o estudo do Euromonitor, em toda a América Latina, 10% das pessoas preparam refeições que são adaptadas para uma dieta especial. Esse valor é mais alto entre consumidores com 50 anos ou mais (15%). Reduzir a quantidade de gordura também é importante para a população da região, com 7% escolhendo as refeições porque são leves ou com pouca gordura. Além disso, o estudo mostra que os latino-americanos dão preferência aos produtos frescos. A primeira coisa que eles olham na etiqueta do produto é a data de validade: 59% verificam primeiro, enquanto 13% estão preocupados com a quantidade de açúcar, 11% com a quantidade de
gordura e 11% com a quantidade de sal.
Como consequência disso, ainda de acordo com a pesquisa da agência, 30% dos consumidores latino-americanos mudaram seus hábitos alimentares no ano passado. Eles aumentaram o consumo de frutas e vegetais e reduziram o sal (20%), açúcar, frituras e carne vermelha, sendo que 5% pararam de comprar refrigerantes e 4% pararam de beber álcool. Enquanto 7% dos lares reduziram a quantidade de produtos lácteos em sua dieta, 4% aumentaram para tirar partido dos benefícios de uma dieta rica em cálcio.
Contudo, vale lembrar que neste momento de conscientização da importância da alimentação na saúde vivenciado na América Latina e, em especial, no Brasil, a proposta de viver melhor não significa para as pessoas, absolutamente, sinônimo de perder horas tentando encontrar os alimentos perfeitos. É possível comer fora de casa e ter sim uma vida mais correta, leve e que não comprometa a saúde. Por isso mesmo é fundamental que os panificadores invistam sempre investindo no que há de melhor em termos de insumos e na capacitação de seus colaboradores para que os pratos sejam feitos de forma ágil, mas sem perder qualquer detalhe de seu valor nutricional.
Com tantos indícios de que o setor de alimentação saudável e sem conservantes está no crescente, vale a pena apostar no segmento. O Sebrae, por exemplo, aponta a área como uma das mais promissoras, e para outros consultores o ano de 2018 é, sem dúvidas, um ótimo momento para investir em uma empresa desse perfil que se consolida como forte tendência para os próximos anos.