destaque, IPC 831

CADÊ O CRÉDITO QUE DEVIA ESTAR AQUI?!

Ao mesmo tempo em que são lançadas inúmeras linhas de financiamento, a possibilidade de obter uma delas parece cada vez mais difícil.

Tão difícil quanto enfrentar a COVID-19, tem sido conseguir um financiamento para dar algum alívio para as padarias. E dez entre dez panificadores apontam esse problema. E o problema vem na contramão do anúncio quase diário da abertura de várias linhas de crédito, deixando claro não só a confusão que é conseguir um empréstimo tanto dos bancos públicos quanto dos privados, bem como que as ações propostas nesse sentido até o momento ainda não foram capazes de preservar as atividades econômicas.

Uma das mais recentes tentativas de desburocratizar o acesso ao crédito nos bancos públicos foi a Medida Provisória 958 que dispensou a apresentação de certidão de quitação de tributos federais; a necessidade de recolhimento do Imposto Sobre Propriedade Territorial (ITR); consulta ao Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin), entre outras obrigações, até o dia 30 de setembro. Outra foi a publicação da MP 975, prevendo a liberação de crédito para pequenas e médias empresas que tiveram receita de R$ 360 mil a R$ 300 milhões em 2019, cujos detalhes sobre como essas linhas poderão ser acessadas ainda não estão muito claros. E outra, ainda, foi a criação do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), por meio da Lei 13.999/20, abrindo linhas de crédito para faturamentos abaixo de R$ 360 mil anuais.

Apesar da importância fundamental de que essas linhas cheguem às empresas rapidamente – tanto para que elas consigam manter os funcionários quanto para minimizar os impactos e evitar um fechamento ainda maior dos negócios durante e após a crise –, esses recursos não estão chegando à ponta, até pelo fato de que, como essas linhas disponibilizadas recentemente foram pouco utilizadas no passado, os gerentes de bancos, muitas vezes, desconhecem os produtos e os procedimentos para a concessão de empréstimos.

UMA MÃOZINHA DO SEBRAE

Atestando esse quadro de dificuldades, uma recente pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que, embora a busca por crédito tenha crescido 86% entre os operadores de pequenos negócios, apenas a diferença deles (14%) obtiveram sucesso em seus pedidos. Muitos ainda estão na fila de espera, enquanto outros foram simplesmente negados. A alegação mais comum para a negativa? Os tais “problemas informacionais” bem conhecidos por boa parte dos panificadores que já foram pleitear empréstimos em algum banco ou entidade financeira, relacionados à dificuldade de eles prestarem informações corretas e de qualidade ao cedente do dinheiro.

Para ajudar os donos de pequenos negócios a driblar esse perrengue, ou que não sabem bem o que considerar como importante na hora de procurar uma instituição financeira, o Sebrae dá algumas dicas importantes. A primeira dela tem a ver com a organização financeira da sua padaria. Normalmente, a principal exigência feita pela maioria dos bancos para conceder empréstimo é a de que ela esteja livre de restrições para ter êxito em sua solicitação. Então, ter total conhecimento sobre o próprio negócio e sobre os números é fundamental, com um registro contábil detalhado, é a primeira dica importante.

A segunda, é pesquisar outras instituições financeiras, além dos grandes bancos. Então, se você já procurou algum banco para solicitar empréstimo, mas não deu certo, não se deixe levar pela negativa e busque alternativas, como cooperativas de crédito e bancos regionais, além de agências de fomento e fintechs, que, atualmente, em função da COVID-19, estão com maior nível de aprovação de empréstimos para as empresas menores. No link https://bit.ly/334iqI0, do site do Sebrae, você encontra uma coletânea com mais de 170 linhas de crédito para pequenos negócios que foram lançadas durante a pandemia.

Agora, antes de buscar financiamento, é bom também que o panificador avalie se não há alternativas que podem suprir a sua necessidade de crédito, como negociação com os fornecedores para conseguir mais prazo para pagamento, descontos e renegociações de custos fixos. E aí vai a terceira dica: no momento em que muitos parceiros comerciais estão com dificuldades, uma possibilidade sempre aberta é negociar.

Porém, se você concluir que realmente precisa do crédito neste momento, mas ainda não se sente seguro para procurar uma instituição financeira, a quarta e última dica é procurar o Sebrae, entidade que oferece a possibilidade de crédito assistido, por meio da qual você recebe orientações, inclusive para utilizar os recursos do financiamento da melhor forma. Na Caixa Econômica, por exemplo, uma pesquisa apontou que os empresários encaminhados pelo Sebrae tiveram três vezes mais chance de obter um empréstimo no banco. Saiba mais sobre o crédito assistido do Sebrae no link  – https://bit.ly/2XlHkiX.