Congresso da Abia atesta continuidade do crescimento do food service no Brasil e revela tendências para o setor.
O mercado de food service ou Alimentação Preparada Fora do Lar alcançou, em 2010, o melhor desempenho dos últimos dez anos no Brasil, com crescimento de 16,5%, atingindo R$ 185 bilhões de faturamento, conforme estimativa da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) apresentada durante a realização do 4º Congresso Internacional de Food Service, no dia 15 de setembro, em São Paulo. O cenário favorável também garantiu aumento de 4,7% no número de contratações formais do setor, em comparação a 2009, com 73 mil novos empregados.
Para o presidente da Abia, Edmundo Klotz, a perspectiva para 2011 é que o mercado de food service feche o ano mantendo alta performance. “O desempenho do setor permanece consistente e os resultados alcançados até o momento nos levam a acreditar num crescimento entre 15% e 16%, o que resultaria em um aumento de cerca de 6% na abertura de novos postos de trabalho”, estima Klotz.
Entre 2001 e 2010, o Food Service expandiu 235,1%, movimentando estimados R$ 1,093 trilhão. Essa evolução do setor impactou positivamente a indústria fabricante de alimentos, que nos últimos dez anos incrementou seu faturamento em R$ 532,9 bilhões em vendas de ingredientes ao mercado de alimentação preparada fora do lar. Somente no ano passado, a comercialização de insumos a restaurantes, padarias entre outros estabelecimentos renderam às fabricantes de produtos alimentícios R$ 75,1 bilhões.
Hoje, os cerca de 800 mil estabelecimentos formais do segmento comercial empregam mais de 1,5 milhão de pessoas. Estima-se que, na totalidade, o setor responda por 6 milhões de postos. “Para 2011, a expectativa é de um crescimento em torno de 6%”, afirma Amílcar Almeida, gerente do departamento de Economia e Estatística da Abia.
Custo das refeições
As mudanças nos hábitos alimentares, causadas, principalmente, pela forte presença das mulheres e jovens no mercado de trabalho e pela expansão da classe C foram o indutor do avanço do food service no Brasil, de acordo com informações Jean Louis Gallego, coordenador do Departamento de Food Service da Abia, divulgadas durante o 4º Congresso Internacional de Food Service.
“Atualmente, mais de 30% das refeições dos brasileiros são feitas fora do lar. O aumento da renda e da geração de empregos reduziu o tempo de permanência das pessoas em suas casas e aumentou a necessidade e o interesse pela alimentação nos mais de 1,4 milhão de estabelecimentos espalhados pelo País”, explica Gallego. Ainda segundo o executivo da Abia, para cada R$ 100 gastos pelos brasileiros com alimentação, R$ 31 são usados para comprar refeições preparadas fora do lar. Em meados da década de 1990, apenas R$ 19 tinham essa finalidade, e em 2003, R$ 24.
O custo das refeições realizadas fora de casa cresceu 11,09% nos últimos 12 meses, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta é superior ao aumento dos alimentos em geral e bebidas, que cresceu 10,29%. A capital com a maior elevação no custo da refeição fora de domicílio foi Curitiba, com 17,83%. Em setembro, a alta das refeições externas foi de 0,43% em relação a agosto. No mês, o café da manhã foi o destaque, com alta de 0,8% ante o oitavo mês do ano, seguido pelo lanche, com 0,66% de aumento. Já o preço do chopp registrou a maior baixa, com queda de 0,73% na comparação com agosto.
No acumulado dos últimos 12 meses, o preço da alimentação realizada em casa cresceu 9,91%, tendo o Rio de Janeiro como a capital que maior apresentou alta, com 11,6%. Na comparação mensal, setembro apresentou aumento de 0,88% ante agosto. Novamente, o Rio de Janeiro foi a capital que apresentou maior alta, com 1,61% na comparação com o oitavo mês do ano.
Saúde é o que interessa
Um levantamento feito pela Abia, também divulgado por ocasião do 4º Congresso Internacional de Food Service, revela que o setor de alimentos funcionais, consumidos na forma de alimento comum, mas que trazem benefícios à saúde, como prevenção de doenças e melhora do bem-estar, crescem ao redor do mundo a uma taxa de 14 anos, enquanto as vendas de alimentos convencionais registram índices entre 3% e 4%.
Simultaneamente, dados do Health and Wellnes Food Beverages in Brazil (Alimentos e Bebidas para a Saúde e o Bem-estar no Brasil) atestam um crescimento de 81% desse segmento entre 2004 e 2009 no País, período em que o faturamento do setor passou de R$ 15 bilhões para R$ 27,2 bilhões. O segmento de produtos orgânicos é o que alcança os números mais expressivos, com uma receita em 2010 de R$ 350 milhões, 40% superior à registrada em 2009, segundo o Projeto Organics Brasil.
No Brasil, o cenário é bastante animador. Estudos do Euromonitor preveem que até 2014 o mercado de alimentos saudáveis movimentará R$ 38 bilhões, com expansão de 39% em relação ao volume atual. Assim, desenvolver alimentos que possam ajudar as pessoas a ser mais saudáveis e a ter um melhor desempenho nos esportes está entre os ganhos que o Brasil poderá conquistar se atentar para a importância da pesquisa e desenvolvimento de novas alternativas.
Os consumidores querem produtos mais saudáveis, o que faz com que exista uma pressão crescente pela eficiência do alimento. Dessa forma, ingerir menos, porém com maior qualidade parece ser o caminho. “A indústria tem o dever e o desafio de se ajustar sempre às necessidades de mudança dos hábitos alimentares”, pontua Augusto Moraes, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Abia.
Segundo ele, atualmente existem muitos investimentos em busca de tecnologias que permitam a substituição da gordura trans e do sódio dos alimentos, seguindo recomendações do Ministério da Saúde. E cada mudança dessas exige muita pesquisa para a criação de produtos com uma nova construção nutricional, mas que mantenham o cheiro, o gosto e a textura aos quais os consumidores estão acostumados. “Há um movimento sério de construção de uma plataforma de alimentos saudáveis e, ao mesmo tempo, de promover o valor agregado, aumentando a participação da indústria no fortalecimento do País”, conclui Moraes.



