As novidades para as padarias não param de chegar ao setor de automação comercial. Mas você precisa fazer uma avaliação bem detalhada para saber o que, realmente, serve e é importante para a gestão do seu negócio.
Ciente da necessidade de atualização constante das ferramentas de automação comercial nas padarias, o Sindipan/Aipan-SP acaba de fechar uma parceria com a Associação dos Fabricantes e Revendedores de Automação Comercial (AFRAC). E para dar início às ações definidas pelo acordo em prol dos setores representados por ambas as entidades, o presidente da AFRAC, Zenon Leite Neto, proferiu palestra intitulada “A Importância da Automação Comercial para o setor de Panificação para uma plateia de empresários e dirigentes do ramo da panificação no dia 13 de setembro, no auditório do Sindipan/Aipan-SP, em São Paulo. Nela, em síntese, Zenon abordou as mudanças do setor da panificação e como a automação comercial pode auxiliar no gerenciamento das padarias, controlando estoques e acessos eletrônicos, entre outros benefícios.
“Hoje, não há mais a possibilidade de uma empresa existir no Brasil se ela não tiver um plano de gestão bem definido. E a boa gestão só se consegue num estabelecimento como a padaria com a automação comercial. Sem isso é praticamente impossível um empresário gerar o crescimento do seu negócio com rentabilidade”, pontua Zenon. “Sabemos que, ainda hoje, grande parte das padarias associadas ao Sindicato não está automatizada. Então, essa parceria com a AFRAC é muito importante não só para levar esclarecimentos a esses empresários sobre a necessidade urgente de eles automatizarem a gestão de seus negócios, como também para ficarmos sempre antenados com as tendências de softwares, de hardwares e de tudo que existe de mais moderno em termos de automação comercial no Brasil”, convalida Antero José Pereira, presidente do Sindipan/Aipan-SP.
E Antero está mais do que certo. Afinal, o que mais existe nesse mercado são lançamentos e novidades criadas e idealizadas para facilitar a vida do empresário de panificação e dos operadores do food service em geral. Nessa órbita, aliás, algumas comprovações são mais do que evidentes.
Evasão de receitas, erros de pedidos e no fechamento das contas por causa da caligrafia e dificuldade no controle da comissão dos garçons. Estes, infelizmente, são problemas constantes nas padarias, bares e restaurantes que ainda utilizam as comandas de papel. A automação comercial, além de evitar a fraude fiscal, também agiliza o atendimento e diminui os erros dentro e fora do balcão.
“Cada vez mais os panificadores e os varejistas de alimentos em geral têm problemas de legislação fiscal. Então, se o empresário não tiver esses controles perfeitos ou adequados, ele fica sujeito a ter sua empresa fechada com a aplicação de uma multa. Além disso, há o problema do roubo. Se o operador de padaria não tiver um instrumento de gestão bem equacionado, ele pode até pensar que está ganhando, mas está perdendo, porque os produtos estão desaparecendo. E a automação comercial, por meio de ferramentas específicas, permite identificar e corrigir essas falhas”, afirma Zenon, da AFRAC.
Economia e sustentabilidade
Atualmente, as empresas de automação comercial têm criado soluções diversificadas para atender a clientes do mais variados portes. Entre as plataformas, encontram-se até cardápio no iPad, como é o caso do Pad + Colibri, criado pela Esys Colibri, líder no segmento de software para food service no Brasil. A solução, lançada no final de 2010, transforma o tablet da Apple num cardápio interativo com fotos e a possibilidade de o próprio cliente realizar o seu pedido.
Outra plataforma desenvolvida recentemente pela Esys Colibri, o Comanda Via Celular, transforma o celular do atendente em um bloco de notas, permitindo que ele anote e envie os pedidos totalmente integrados ao sistema de gerenciamento do estabelecimento. A nova plataforma foi desenvolvida como alternativa para que os atendentes tenham mais tempo de interação com os clientes. De fácil utilização, a Comanda via Celular utiliza o software PKsFalcão e está disponível para dois celulares: Nokia 2690 e Samsung GT-S5250.
“Como ele se integra ao sistema de gerenciamento do estabelecimento, a solução torna o atendimento ainda mais rápido, pois envia automaticamente os pedidos ao bar e/ou cozinha, eliminando a emissão das vias em papel. Em outras palavras, não é só uma questão de economia, mas também uma decisão sustentável e que agride menos o planeta. A partir do momento que o restaurante é automatizado, o gasto com papel é reduzido drasticamente”, afirma Mauricio Medeiros, presidente da Esys Colibri. Além de tornar o atendimento mais eficiente, o Comanda via Celular desponta ainda como ferramenta capaz de maximizar a eficiência logística da padaria.
Mas, sem dúvida, a proposta da economia se manifesta de maneira bastante eloquente na medição dos resultados advindos da adoção de terminais automatizados e softwares para cadastro de pedido. A conta a seguir, feita pela Esys Colibri é simples e ilustra o cotidiano dos estabelecimentos comerciais: um bloco com 1.000 folhas (mil) custa aproximadamente R$ 20. O gasto anual com comandas de uma panificadora que atua com dez atendentes em sua área de food service é de R$ 1.000 (mil). Um cardápio com fotos coloridas custa, em média, R$ 25 e o gasto anual com cardápios de uma panificadora com 80 cardápios é de R$ 12.000 (doze). O total anual de gastos com papel dessa padaria chega a R$13.000. Precisa explicar mais?
Inovação a serviço da agilidade
Novas soluções tecnológicas e tendências também não param de chegar às prateleiras e gôndolas das padarias brasileiras. Entre elas, uma que se destaca é a Electronic Shelf Label (ESL – etiqueta eletrônica de prateleira), da Seal Tecnologia. Segundo a empresa as ESL são dispositivos digitais que, instalados nas gôndolas, exibem preços, promoções e características técnicas dos produtos, além de dados gerenciais como disponibilidade em estoque, facing e margem de vendas de cada item. Entre outras vantagens, ela permite maior agilidade na reposição de estoques e no agendamento de promoções. Outra solução da empresa é a RFID (Identificação por Rádio Frequência), que permite que vários itens sejam registrados no caixa ao mesmo tempo, garantindo agilidade nos pagamentos.
Em parceria com a Seal Tecnologia, a NCR Corporation desenvolveu os terminais de consulta assistida NCR RealPOS, software para ponto de venda e outros periféricos. A novidade, lançada no Brasil em março deste ano, é o NCR RealPOS25, um terminal “tudo em um”, que pode funcionar como dispositivo de pdv ou quiosque multimídia para autoatendimento com tela de toque. Segundo a empresa estarão disponíveis, também, outras soluções que prometem simplificar a gestão e administração de linhas de check-out e auxiliar os varejistas no gerenciamento de programas de fidelidade.
Planejamento e segurança em foco
Outras ferramentas de muita utilidade na padaria são o SAP Retail e o Merchandise Assortment Planning (MAP), produto idealizado pela brasileira Construsoftware, em parceria com a alemã SAP. Ambos têm como objetivo auxiliar o varejista no planejamento de mercadorias de acordo com o público, entre outras funcionalidades, e garantir que não faltem os produtos certos para cada ponto de venda. As soluções prometem melhorar o planejamento da compra e distribuição dos produtos, otimizando todos os processos de venda e gerando, para o consumidor final, redução nos preços.
Já a Associação Brasileira de Automação – GS1 Brasil criou e vem disseminando o padrão GS1 na identificação, codificação e soluções para a cadeia de suprimentos. De acordo com a associação, o respeito ao padrão internacional GS1 de código de barras garante mais agilidade nas filas de check-outs do varejo, satisfação do consumidor e gestão do supply chain na cadeia de abastecimento. A padronização diminui o tempo de entrega e recebimento de pedidos, reposição de estoques e gôndolas, faturamento e cobrança, economia de combustível e outros benefícios.
Referência no desenvolvimento de tecnologias para bancos, a Perto S/A aposta, agora, na linha PertoTrap para ampliar as vendas no varejo. Ideal para padarias e lojas de conveniência, o PertoTrap proporciona segurança e produtividade, armazenando o dinheiro em um cofre inteligente, eliminando operações de contagem e recontagem e de transporte interno de cédulas. “O equipamento é desenvolvido com a qualidade de um cofre em aço de 12mm e as operações são protegidas com senha. O PertoTrap conta automaticamente as cédulas, verifica a autenticidade e as armazena em um cassete lacrável, além de controlar, auditar, proteger contra perdas e eliminar erros de contagem”, destaca Fabrício Marra, gerente comercial da empresa.
No PertoTrap Básico, as transações são controladas por um terminal de operações POS. Já nos modelos Slim e Dual, por um display com painel de LCD touchscreen. Uma impressora térmica acompanha o produto, fazendo o registro das transações. Segundo Fabrício, o grande diferencial da Perto é a rede de suporte e serviços em todo Brasil. “A empresa está estruturada para atender os clientes com agilidade e dar suporte sempre que necessário”, afirma.
Nada de pressa na hora de escolher
“Nem tudo o que muda e nem tudo o que é novo é bom e deve ser adotado de imediato. Porém nunca deve ser ignorado.” A opinião de Francisco Britto, consultor em comunicação e marketing resume bem a forma como empresas e profissionais devem tratar a tecnologia.
Como se viu há pouco nesta reportagem, a cada dia surgem novidades no campo da automação comercial. Só que estas podem tanto impactar fortemente os negócios quanto pouco fazer diferença para o dia a dia dos empresários. “Dessa reflexão, o que fica de mais importante é que estar atualizado colabora com a imagem da empresa como um todo, aumenta sua atratividade para novos talentos, bem como amplifica a competitividade e a presença”, resume Britto.
O consultor destaca a necessidade que as empresas têm de analisar o cenário em que estão inseridas, acompanhar o que estão fazendo as outras empresas do setor, as concorrentes diretas e indiretas e para onde sopram os ventos das novidades e das oportunidades. “De forma geral, as companhias erram por não estarem constantemente olhando para fora. Ou seja, muitas vezes decidem o que é melhor ou pior no mundo digital fazendo uso somente do gosto pessoal e das experiências próprias. Essa visão deturpada do mundo externo e de sua velocidade é que podem levar a grandes equívocos”, alerta.
“Por isso é muito importante que os panificadores associados ao Sindipan/Aipan-SP que ainda não têm ferramentas de automação comercial em suas padarias conversem com seus pares e amigos nas reuniões do Sindicato e fora delas, participem de feiras como a FIPAN e da AUTOCON (NE: feira promovida pela AFRAC, em parceria com a IDETI), para se atualizar e fazer um apanhado do mercado sobre o que existem em termos de softwares e hardwares, e ver o que se adapta melhor para o seu caso específico”, convalida Zenon Leite Neto, presidente da AFRAC, acrescentando que a ordem lógica na automação comercial é primeiro conhecer as ferramentas e depois adquiri-las. E ele acredita que esse não pode ser um processo muito rápido: “Essas coisas levam e precisam de tempo. O panificador tem que estudar bem cada solução para ver aquelas que mais se identificam e se encaixam ao seu negócio. Só depois que ele estiver realmente convicto é que deve partir para a compra”, alerta o executivo.
Hoje, qualquer empresa, de qualquer tamanho e em qualquer lugar, pode estar equipada da forma mais conveniente para o atendimento de suas demandas no que diz respeito à tecnologia. “Hardware e software de forma geral se democratizaram. Uma empresa pode ter uma parrudo ERP ou mesmo uma solução free baixada da internet. Mas é importante entender os processos, gargalos e, acima de tudo, aquilo que o cliente efetivamente dá valor”, aconselha, por sua vez, o consultor Francisco Britto.



