Panificação brasileira foca maior competitividade

FORNO 300x196 Panificação brasileira foca maior competitividade As padarias vêm adquirindo perto de 25 mil máquinas por ano, melhorando as áreas de fabricação dos pães e outros produtos.

O crescimento do setor de panificação e confeitaria reflete a evolução do setor, mas deixa no ar a sensação de que poderia ser melhor, se as empresas fossem mais bem estruturadas. Nesse sentido, a Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria (ABIP) está articulando com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) um convênio de cooperação, com o objetivo de desenvolver ações que tornem as padarias mais competitivas, potencializando oportunidades de negócio e fazendo com que elas consigam, por exemplo, absorver a demanda reprimida por postos de trabalho.

Com o crescimento registrado em 2010, foram abertos cerca de 50 mil postos de trabalho, contudo, apenas a metade delas foi preenchida, deixando 25 mil vagas em aberto, devido, por exemplo, à pouca qualificação da mão de obra existente. Ainda assim, as padarias e confeitarias empregam em torno de 760 mil pessoas de forma direta. Dessa forma, o convênio pretende atuar de forma estruturante, buscando reunir parceiros de diferentes áreas afins da Panificação e Confeitaria, numa ação conjunta que resulte numa rede de relações forte, cujo resultado seja padarias e confeitarias orientadas num foco gerencial e de expansão.

 

Ações práticas

Uma das ações palpáveis ao setor diz respeito a intervenções que levem à redução do número de empresas informais, em todo o País. Hoje, cerca de 20% das 63 mil empresas de panificação e confeitaria não possuem registro formal. As regiões Norte e Nordeste concentram a maior parte dos informais. Reduzir este índice também é uma maneira de se ampliar a empregabilidade do setor.

Paralelamente, o crescimento registrado pelas padarias pode ser medido também pelo aumento do número de máquinas adquiridas. Números da Associação Brasileira das Indústrias de Equipamentos para Panificação, Biscoitos e Massas Alimentícias (ABIEPAN) indicam que as padarias vêm adquirindo perto de 25 mil máquinas por ano, melhorando as áreas de fabricação dos pães e outros produtos.

Contudo, fabricantes de equipamentos e padarias enfrentam dilemas sobre normalização dessas máquinas. Comitês de estudo dentro da ABNT têm promovido a edição de normas técnicas para fabricação de batedeiras, amassadeiras e outras máquinas. E articulações com a própria ABNT, ABIP, Associação Brasileira da Indústria e Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Inmetro e apoio do Sebrae, visam à fomatação de um programa de eficiência energética para os fornos, que atualmente, são responsáveis por 70% do consumo nas padarias. As padarias brasileiras consomem cerca de 5,3 bilhões de kWh/ano com energia elétrica. O gasto médio mensal de uma padaria de médio porte é próximo a R$ 7 mil (ABIP, 2008). Uma racionalização desse consumo certamente traria ganhos tanto em lucratividade quanto em termos ambientais.

 

Ampliação do parque

Contudo, essas intervenções no maquinário farão com que as padarias necessitem de apoio para a aquisição de máquinas compatíveis com o novo padrão normalizado. Mesmo com todo esse crescimento, o setor ainda não conseguiria sozinho repor todo seu parque industrial. Principalmente se levarmos em conta que 96,3% das padarias e confeitarias se enquadram no perfil de micro e pequenas, que demandam linhas de acesso a crédito.

O convênio proposto pela ABIP ao Sebrae irá promover ações direcionadas justamente a essas demandas do setor, como a disseminação de conhecimentos e ações para redução da informalidade no setor. Também serão contempladas negociações com entidades financeiras para se viabilizar crédito para padarias adquirirem os equipamentos que vierem a ser fabricados segundo as novas normas.

Falando em normalização, Sebrae e ABIP acompanham, desde o início, os trabalhos de elaboração das normas técnicas, que acontecem há três anos. Nesse período, foram publicadas normas para batedeiras, amassadeiras e cilindros. Essa atuação conjunta fez parte de um primeiro convênio entre as duas entidades, que permitiu ao setor ampliar sua rede de relacionamentos, e promover projetos do Sebrae em parcerias com o setor de panificação e confeitaria em 20 estados, com mais de 30 projetos, que ajudaram o setor a alavancar os índices de crescimento dos últimos anos.

 
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