Padarias apostam no serviço de entrega para ganhar mercado

DELIVERY 300x203 Padarias apostam no serviço de entrega para ganhar mercado Delivery já representa até 40% do faturamento de algumas panificadoras.

Encomendar refeições, pizzas e sanduíches em restaurantes e lanchonetes é bastante comum. E, no que depender de muitas padarias, o serviço de delivery de pães, bolos e mini-salgados, entre outros produtos, também deve deslanchar no Brasil. Atentas ao crescimento da demanda pelo serviço de entrega em domicílio e dispostas a ampliar suas fontes de receita, as panificadoras brasileiras têm investido cada vez mais no mercado de alimentação. Somente em 2010, o segmento de comida fora do lar, também chamado de food service, faturou R$ 75,1 bilhões e representou 35% do faturamento das padarias, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia).

A rede paulista de panificadoras Benjamin Abrahão é uma das empresas que apostaram no serviço de delivery. Para estruturar o modelo de entregas, Raquel Abrahão – uma das proprietárias do negócio – contratou gerentes e uma equipe com 12 motoristas, adquiriu frota própria com veículos adaptados e montou uma rede de atendimento telefônico com cinco funcionárias. Mesmo com todo o investimento, que consumiu R$ 200 mil, não foi tão fácil implementar o novo serviço. Raquel conta que foram necessários seis meses para selecionar e treinar motoristas e entregadores. “Tivemos que orientá-los para que tomassem cuidado no trajeto, ajeitassem os produtos de modo a não danificá-los e evitassem movimentos bruscos nos veículos”, diz a empresária. O esforço compensou. Embora não revele números, Raquel diz que recuperou o investimento inicial em dois anos.

“No trabalho com delivery é muito importante que o processo esteja adequado à expectativa do cliente. Por isso, o empresário deve fazer uma pesquisa de mercado e preocupar-se desde o atendimento até a chegada do produto”, diz Regina Diniz, analista de panificação do Sebrae Nacional.

 

Pedido mínimo

O cuidado para que os alimentos cheguem intactos aos clientes contribui para a consolidação de uma boa imagem na panificadora. Por isso, Raquel lembra a importância do planejamento eficiente e do controle da produção para que os alimentos estejam sempre frescos. “Também nos preocupamos em separar corretamente cada entrega e planejar os trajetos. No caso de produtos como lanches e bolos há embalagens especiais e, se necessário, colocamos tiras de reforço para aumentar a proteção”, afirma.

Na Benjamin, os clientes pagam taxa de R$ 6 por entrega e devem fazer pedidos de, no mínimo, R$ 60. Com demanda média de 130 encomendas por dia, os alimentos mais procurados são bolos, lanches de metro e mini salgados para festas particulares e eventos empresariais. Apesar disso, os pedidos já foram maiores. “Fazíamos entregas sem valor mínimo, contudo, a procura superou nossa capacidade de infra-estrutura e tivemos que freá-la, já que não trabalhamos com motoboys e dependemos de estacionamentos”, afirma Raquel. Hoje, entretanto, os resultados do setor já representam 40% do faturamento da rede. “Há demanda, os resultados são positivos e o valor médio das encomendas é de R$ 200. Com isso, voltamos a pensar em expansão”, diz.

 

Padaria gourmet

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), o momento favorável vivido por esse setor fez com que, em 2010, o faturamento alcançasse R$ 56,3 bilhões – 13,7% a mais do que no ano anterior. “No conceito de padaria gourmet, há um atendimento diferenciado e uma especialização maior. Na prática, isso significa vender produtos de conveniência e aproveitar a circulação de pessoas em diversos períodos”, afirma Alexandre Pereira, presidente da Abip. Todos os dias, são atendidos mais de 42 milhões de consumidores nas 63,2 mil padarias brasileiras.

A panificadora mineira Trigopane também acreditou no potencial das entregas em domicílio e alavancou seus rendimentos. Para o funcionamento do delivery nas duas unidades da rede, foram envolvidos 45 funcionários – entre gerentes, motoristas, atendentes e separadores de produtos. A implementação do novo serviço, entretanto, demorou quatro meses para ser concluída, já que houve a necessidade de definir aspectos logísticos como a rota de distribuição e a estrutura de vendas. “Além disso, tivemos que ajustar o melhor transporte para cada tipo de produto, se por meio de motos ou carros. Também procuramos embalagens que protegessem as encomendas e escolhemos as térmicas, evitando que os alimentos fossem entregues frios aos clientes”, diz Igor Silva, gerente de marketing da empresa.

Para concluir o projeto de delivery que incluiu aquisição de frota, reforma nas lojas e divulgação do serviço, foram gastos aproximadamente R$ 200 mil. Hoje, com mais de 200 pedidos por dia, Silva destaca que os alimentos panificados são os mais procurados. “Temos um atendimento diferenciado, trabalhamos com food service e produtos de mercearia. No delivery, cobramos uma taxa de R$ 4 por entrega e oferecemos todos os produtos da loja, sendo pães e bolos os que têm mais saída”, afirma.

Fonte: IG-Economia

 

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